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A GNR anunciou que vai processar uma mulher que se queixou, através do Facebook, de uma multa de estacionamento, denunciando que agentes desta força policial estacionaram o carro de serviço no mesmo local reservado onde tinha estado o seu veículo.
A história aconteceu na zona da Fuseta, no Algarve, depois de uma mulher ter sido multada por ter estacionado o carro num local reservado a cargas e descargas.
Depois da intervenção dos agentes, a mulher fotografou o carro desses polícias estacionado no mesmo lugar onde o seu tinha estado, publicando a imagem (que reproduzimos acima) no Facebook, a par de um texto onde usou termos como “corrupção” e “corruptos“.
A mulher denunciou ainda que os agentes estavam numa pastelaria “a tomar o pequeno-almoço“.
A GNR veio a público, também através do perfil da força policial no Facebook, negar esta situação. Confirmando a presença dos agentes no interior da pastelaria, frisa contudo que os polícias estavam “a tentar identificar o condutor de uma viatura pesada que parqueou num local reservado a pessoas portadoras de deficiência”.
“Por identificarem essa situação, e não tendo um local disponível para o fazer, os militares da GNR parquearam a viatura de serviço na zona que é identificada na fotografia”, escreve-se ainda nesta publicação da GNR no Facebook.
Na mesma nota destacava-se que a GNR vai avançar com uma queixa-crime contra a mulher e o major Marco Cruz, da Divisão de Comunicação e Relações Públicas do Comando Geral da GNR, confirma este dado em declarações ao Diário de Notícias.
“Trata-se de um comentário lesivo para os militares que estiveram envolvidos, mas também para a instituição. Os apelidos que são utilizados traduzem um comprometimento daquilo que são os valores e os princípios institucionais da Guarda”, explica no jornal o major Marco Cruz.
“As pessoas não se podem sentir desresponsabilizadas relativamente aos comentários que colocam nas redes sociais”, acrescenta o agente.
É a primeira vez que a GNR assume publicamente que vai processar um cidadão por causa de comentários sobre a força policial nas Redes Sociais.
ZAP
É vergonhoso que no séc. XXI a segurança pública dos civis num país da Europa civilizada ainda esteja entregue a forças militares como a guarda republicana. Só o nome dá a entender para o que foi criada por Afonso Costa em 1911, como guarda pretoriana do regime e reprimir os monárquicos e os levantamentos populares. Mais valia ter-se mantido a antiga guarda municipal, como polícia rural e polícia administrativa. A guarda republicana atual já incorporou a antiga guarda fiscal e a antiga polícia de viação e trânsito. A PSP e a PJ, com as designações vigentes foram recriações do estado novo. Portugal não comporta tantas polícias e tantos interesses corporativos dessas forças. Poderia a PSP, PJ, e todas as polícias técnicas incorporar uma polícia civil, recuperando-se esta designação tradicional, mas moderna, obviamente com os respetivos departamentos especializados.. Outra situação que não se percebe é porque a guarda republicana faz concorrência à polícia marítima.
As honras de estado, e aos palácios onde residem o chefe de estado e o parlamento deveria ser uma honra do exército, como em quase todos os países do mundo, sendo este o herdeiro das tradições militares respetivas.
Ainda outra situação curiosa. Um profissional não se pode deixar afetar por nomes feios ou insultos dos populares, pois então são iguais a eles.Quem não tem preparação psicológica para se concentrar na sua missão e se abstrair, então não é profissional, é um gajo qualquer e um perigo para si e para os outros. Já viram um árbitro de futebol atirar o apito ao público? Não.