Miguel A. Lopes / Lusa

As gasolineiras de todo o país já arrecadaram, pelo menos, 38,7 milhões de euros a mais nos últimos cinco dias devido à corrida dos portugueses aos postos de combustível causada pela greve dos motoristas, que está agendada para a próxima segunda-feira, avança o Correio da Manhã este sábado.

O diário fez as contas partindo de dados da Direção-Geral de Energia. No ano passado, o consumo médio em Portugal era de 3,5 milhões de litros de gasolina e de 14 milhões de litros de gasóleo. Este ano, entre 5 a 9 de agosto, este valor foi multiplicado por cinco.

O jornal simulou depois qual seria o consumo com uma procura 30% superior – valor avançado pelo ministro do Ambiente, Matos Fernandes, nesta quarta-feira.

Contas feitas, e aplicando os atuais preços de mercado para os combustíveis, o CM concluiu que as gasolineiras encaixariam 129 milhões de euros num período de procura normal.Com a procura superior em 30%, o ganho é de 167,7 milhões.

Aplicando a diferença entre os dois cenários, as empresas terão conseguido um extra de 38,7 milhões de euros. Parte deste montante reverte para o Estado através de impostos.

Apesar da corrida às bombas que já se começa a sentir, Matos Fernandes garantiu ontem que, ente os três mil postos em todo o país, só 50 a 100 bombas de abastecimento só 50 a 100 bombas de gasolina tinham falhas em algum tipo de combustível. De acordo com o governante, só cinco estavam em situação de rutura total.

Números diferentes apresenta a plataforma #JáNãoDáParaAbastecer: na manhã deste sábado, o site indicava que existiam mais de 1000 bombas sem algum tipo de combustível – 388 bombas sem gasolina e 704 sem gasóleo Contudo, e ainda de acordo com o mesmo site, num total de 2928 postos, 85,3% ainda podiam prestar serviços aos portugueses.

Todo o país está a ser afetado, sendo as bombas localizadas mais perto da fronteira espanhola a que têm mais combustível. Em sentido oposto, o Algarve parece ser, de acordo com o mapa apresentado no site, uma das zonas do país mais afetada.

A plataforma, recorde-se, vai apresentando e atualizando os números de forma constante, pelo que os valores podem variar numa questão de minutos.

“Mão de ferro” do Governo

No mesmo dia em que os sindicatos dos motoristas – o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) e o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) – se reúnem em plenário para discutir se a greve agendada para a próxima segunda-feira realmente avança, também o Governo marcou para este sábado uma reunião de emergência.

“Esta reunião extraordinária, em São Bento, destina-se a coordenar os trabalhos do Governo para fazer face aos efeitos da greve dos motoristas que está prevista iniciar a partir das 00:00 de segunda-feira”, afirmou fonte do gabinete do primeiro-ministro à agência Lusa, dando conta que o Executivo falará à comunicação social no fim do encontro que não tem hora definida para terminar. A reunião está marcada para as 10:00.

O primeiro-ministro, António Costa, chamou os ministros do Trabalho, Vieira da Silva, do Ambiente, José Matos Fernandes, dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, Administração Interna, Eduardo Cabrita, mas também o da Defesa, João Gomes Cravinho. Também o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, interromperá as férias para estar presente na reunião, disse o próprio em declarações ao Diário de Notícias

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Segundo noticia a TSF, António Costa deste sábado chegou à reunião de carro elétrico.

À saída da reunião, por volta da 13h15 deste sábado, o primeiro-ministro avisou que não vai hesitar em agir, mas pediu que ainda se evite a greve. “Não daremos passos que agravem o conflito mas não deixaremos de dar os passos para que o conflito deixe de ter consequências indesejáveis para a vida dos portugueses”.

“Esperemos que os próximos dias possam devolver tranqulidade à vida dos portugueses”, frisando que o Governo não tirará férias enquanto o “interesse nacional” estiver em causa.

O jornal Público escreve também este sábado que o Executivo socialistas está a apostar numa postura dura, uma espécie de “mão de ferro” para travar os motoristas. De acordo com o diário, o Governo endureceu o discurso e acionou quase todas as medidas para esvaziar a greve que está a ameaçar o país – falta apenas acionar a requisição civil preventiva, que a Procuradoria-Geral da República já disse ser possível.

Esta sexta-feira, recorde-se, o Governo declarou estado de crise energética. Antes disso,  decretou serviços mínimos, que os sindicatos se queixam de serem “máximos”.

Todas estas medidas podem travar a greve dos motoristas que está agendada para a semana em que arrancam as férias de muitos portugueses. Esta época é também marcada pela movimentação de muitos emigrantes. O Público observa ainda que a aplicação destas medidas pressiona os motoristas, preparando, em simultâneo, o país para o pior. Contudo, a decisão final só será tomada este sábado.

O matutino recorda ainda que é Vieira da Silva, ministro do Trabalho e Segurança Social, que está a dar a voz ao discurso mais duro do Governo. Foi o próprio, esta sexta-feira, a anunciar o estado de crise energética. Este governante é um ativo político que já se colocou de fora do próximo elenco governamental, nem sequer sendo candidato pelo PS.

Caso a greve realmente avança, escreve o jornal i, esta durará entre três a quatro dias, estendendo-se até ao feriado da próxima quarta-feira, 15 agosto.

Entretanto, o porta-voz do SIMM, Anacleto Rodrigues, garantiu no fim desta manhã, após plenário, que foi aprovada por unanimidade a “manutenção da greve”. Só uma “aproximação da ANTRAM” pode cancelar a paralisação. “Ainda há margem para a evitarem [a greve], se assim o desejarem”, apontou, citado pelo Sapo 24.

O Sindicato realizou um plenário apenas para os seus associados em Leiria. Seguem-se mais duas reuniões: uma pelas 16:00, em Aveiras de Cima, e outra às 17:00, em Olhão.

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