Miguel A. Lopes / Lusa

O eurodeputado do Partido Socialista, Francisco Assis

O eurodeputado socialista Francisco Assis demitiu-se do cargo de coordenador da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-American, depois de ter sido “impedido de participar” num debate de urgência no Parlamento Europeu sobre a Venezuela.

Francisco Assis considera, na carta de demissão à qual o Observador teve acesso, que a sua “dignidade parlamentar e pessoal” foi posta em causa.

“Inexplicavelmente, fui impedido de participar no debate hoje [terça-feira] realizado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre este tema, sem que me tenha sido apresentada uma explicação plausível”, lê-se na carta.

No debate, o eurodeputado socialista pediu para falar, depois de o candidato do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, ter falado. Mas, ao contrário do que costuma acontecer, o grupo parlamentar a que pertencem os eurodeputados do PS não lhe deu autorização para falar, alegando que não se tinha inscrito para o fazer.

De acordo com fonte próxima de Francisco Assis, isto nunca tinha acontecido até agora. O eurodeputado não compreendeu este impedimento especialmente porque “até à presente data”, acrescenta, participou “ativamente em todos os debates levados a cabo neste Parlamento sobre a situação vivida neste país”.

“Considero tal facto ofensivo da minha dignidade parlamentar e pessoal, pelo que, para a devida salvaguarda da mesma, venho apresentar a demissão das funções de Coordenador dos Socialistas & Democratas no EUROLAT, com efeitos imediatos”, escreveu.

Fonte próxima do eurodeputado disse que Francisco Assis sentiu que estava a “ser encostado” pelo PS e que lhe estavam a tirar a liberdade e a responsabilidade numa área onde é coordenador.

Francisco Assis compreendeu que não o quisessem pôr em confronto direto com o Paulo Rangel e considera que esta decisão eventualmente até foge ao controlo do próprio primeiro-ministro. Mas, ainda assim, não aceita ser limitado no seu mandato

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Fonte oficial da delegação portuguesa dos eurodeputados do PS rejeitou que tenha havido “qualquer indicação para que Francisco Assis não falasse sobre a Venezuela ou qualquer outro assunto que tenha a ver com a América Latina, antes pelo contrário”. A mesma fonte alega ainda desconhecimento da carta de demissão.

De acordo com a descrição que é feita por um socialista português em Bruxelas, “Assis é o ponta-de-lança” do PS nessas matérias e o caso ter-se-á dado como o culminar de “um conjunto de situações entre o eurodeputado e o grupo do S&D que se têm acumulado nos últimos tempos”, sem especificar quais são essas situações.

Fontes próximas do eurodeputado explicaram que Francisco Assis tem-se sentido colocado em segundo plano desde que começou o período de pré-campanha para as eleições europeias, sobretudo depois de o anúncio dos candidatos do PS. Têm-no posto num palco secundário, “claramente para não tirar protagonismo ao Pedro Marques”, alega a fonte.

Francisco Assis ocupou o cargo durante dois anos e meio “com empenho e dedicação”, escreve na carta de demissão.

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