O fotógrafo Alfredo Cunha vai processar a Juventude Popular pela utilização, sem a sua autorização, e pela manipulação de uma fotografia sua do “capitão de Abril” Salgueiro Maia, num cartaz divulgado nas redes sociais a propósito do 25 de Abril.
“Tem todos os ingredientes para me deixar furioso. Primeiro, a fotografia é roubada, depois é manipulada. Como tal, irei partir para tribunal para tratar do assunto”, disse à Lusa o fotógrafo Alfredo Cunha, depois de o jornal Observador ter avançado a notícia.
O autor da icónica foto de Salgueiro Maia sublinhou não querer fotografias suas usadas por partidos, “muito menos por um partido de direita” com “uma mensagem ambígua“.
O cartaz digital da Juventude Popular (JP), a juventude do CDS-PP, usa parte da imagem do capitão de Abril, com um filtro azul, lendo-se as seguintes frases: “25 de Abril. A liberdade é de quem a dá aos outros! e não dos que se afirmam donos dela”.
O líder da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, reagiu com uma nota publicada na sua página na rede social Facebook, na qual defende que a fotografia de Alfredo Cunha é já “património imaterial do país” e foi usada de “boa-fé”.
“Ser-nos vedada a utilização de boa-fé, no quadro das comemorações de um dia de todos os portugueses, de uma fotografia considerada património imaterial do país, cujo autor é sobejamente conhecido, soa-nos à negação dos valores que aquele dia histórico quis restaurar”, lê-se na nota.
Francisco Rodrigues dos Santos argumenta que tal está vertiginosamente perto “dos idos de má memória da ditadura e do PREC, Processo Revolucionário em Curso, onde aconteciam perseguições ideológicas, condenações por delito de opinião, saneamentos do pluralismo e proibição do acesso à democracia por quem não se afirmasse socialista”.
“Parece-nos, pois, que as motivações deste processo de intenções não são jurídicas, outrossim políticas. Caso assim não fosse, teria o autor contactado a JP para imediatamente fazer constar a indicação dos créditos, pedido a que acederíamos prontamente”, acrescenta o líder da JP.
Filho e neto de fotógrafos, Alfredo Cunha trabalhou na Lusa, no Público, na Visão, no Comércio do Porto, no Tal & Qual, 24 Horas, JN, acompanhou a AMI em África e Mário Soares durante 12 anos.
Reformou-se recentemente, aos 64 anos, depois de 47 anos de carreira como fotojornalista e mais de 3 milhões de fotografias tiradas por meio mundo – que captou sempre a preto e branco.
“A minha linguagem, a minha forma de expressão é o preto e branco. Eu nem vejo a cores, é que não vejo mesmo, só me interessa o gradiente de cinza e mais nada”, disse em março ao DN, por ocasião da inauguração da exposição “Tempo depois do Tempo”, na Maia – na qual não deixou de marcar presença uma certa fotografia de… Salgueiro Maia.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
conclusão estw senhor fotografo é simplesmente uma parasita da sociedade!!