Paulo Cunha / Lusa
Incêndio em Pedrógão Grande
As suspeitas de que o grande incêndio de Pedrógão Grande foi originado por mão criminosa crescem, com relatos de populares e de bombeiros. E o início do fogo está registado numa fotografia, que será a primeira tirada ao incêndio, muito antes de se ouvir a trovoada.
A imagem foi registada por Daniel Saúde, de 39 anos, que se encontrava com a mãe, na casa em Escalos Fundeiros, localidade de Pedrógão Grande, onde começou o grande incêndio que matou 64 pessoas.
Em declarações ao jornal Expresso, que divulga a fotografia, Daniel Saúde conta que ligou para o 112 às 14:38 horas, a reportar o incêndio, e que registou a imagem do fogo pelas 15:17 horas e “não havia trovoada no ar”, garante.
A origem do incêndio foi atribuída a uma trovoada seca e a Polícia Judiciária anunciou ter encontrado a árvore, atingida por um raio, onde o incêndio terá começado.
Muitos populares garantem contudo que não ouviram trovoadas quando o incêndio começou e o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, também fala em suspeitas de “mão criminosa”.
Daniel Saúde é igualmente defensor desta teoria, lamentando ainda não ter sido ouvido pelas autoridades, mesmo depois de ter sido ele um dos primeiros a dar o alerta de incêndio.
Em declarações à SIC Notícias, ele explica que estava a almoçar com a mãe, numa casa “com vista privilegiada sobre o vale”, quando reparou no incêndio, numa altura em que diz que não havia qualquer registo de trovoada.
“Trovoada houve muito mais tarde, no final da tarde”, diz Daniel Saúde, mostrando-se “bastante chocado” com as alegações iniciais apresentadas pela Judiciária.
“Carrinhas suspeitas” apanhadas a reactivar o incêndio
O jornal Sol refere, entretanto, que bombeiros e populares que estiveram na zona do incêndio alegam ter visto “duas carrinhas suspeitas” que estariam a tentar reactivar o incêndio.
“Aquela zona já estava a ser investigada desde há um mês porque havia várias tentativas de incêndios postos e já havia alguns suspeitos”, refere ao Sol uma fonte identificada como alguém ligado “ao teatro das operações”.
Este semanário também realça que na passada quarta-feira, quando o incêndio foi dado como controlado, os bombeiros viram “um grupo de pessoas que estavam na zona a tentar reactivar o incêndio”. Mas terão conseguido “fugir em duas carrinhas, que já foram entretanto identificadas”, avança o Sol.
Já neste sábado, habitantes alertaram os bombeiros para uma ameaça de fogo posto numa área de eucaliptos, perto do local onde andou o incêndio entretanto extinto, segundo adianta o Correio da Manhã.
O jornal refere que o foco de incêndio foi controlado pelos bombeiros e que a GNR esteve no local a recolher informações.
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Essa da judiciária ter concluído tão rapidamente que foi aquela a árvore a vítima de uma faísca parece-me fácil demais!