O Supremo Tribunal de Justiça anulou a condenação da inspectora da Polícia Judiciária que tinha sido considerada culpada pela morte da avó do marido, apontando falhas à investigação e muitas críticas aos juízes do caso.

Ana Saltão, inspectora da Polícia Judiciária do Porto, foi condenada a 17 anos de prisão pelo Tribunal da Relação de Coimbra (TRC), comarca onde ocorreu o crime, em 2012. Isto depois de ter sido absolvida na primeira instância, por um tribunal de júri.

Agora, o Supremo Tribunal de Justiça anula a condenação em segunda instância, apontando o dedo à investigação da PJ e à decisão dos juízes.

O jornal Público nota que o Supremo considera que o acórdão do TRC que condenou Ana Saltão apresenta “vários vícios e contradições”.

Entre essas contradições está, nomeadamente, o facto de a idosa, que terá sido morta com uma arma semelhante às usadas pela PJ, “apresentar 16 orifícios de entrada de bala no corpo” e de “os juízes da Relação falarem em apenas 14”, conforme salienta o diário.

O Supremo ainda fará referência ao facto de, aquando do crime, ter desaparecido da gaveta de uma colega de Ana Saltão uma arma que só teria 14 balas.

Outro detalhe que levanta dúvidas prende-se com a prova pericial feita ao blusão que a suspeita usaria no momento do crime.

Esta peça de roupa apresentava resíduos de chumbo de uma arma de fogo, mas terá estado no chão de uma sala da brigada de homicídios da PJ, antes de ter sido analisada, pelo que pode ter sido contaminada por vestígios que nada teriam a ver com o crime.

O caso vai assim voltar a ser analisado pelo TRC, mas por novos juízes que vão decidir a absolvição, a condenação ou a repetição do julgamento.

ZAP