Portugal “vai claramente na direcção errada”. O alerta é do FMI que deixa duros reparos à estratégia orçamental do governo de António Costa, prevendo um desvio de 1,25 mil milhões de euros nas contas do Estado.
Nos últimos dados divulgados pelo FMI, conforme reporta o Dinheiro Vivo, há a previsão de que as receitas públicas do Estado português vão crescer apenas 1,4 mil milhões de euros, em 2016, contra a estimativa de 2,6 mil milhões de euros do Ministério das Finanças.
Isto é o mesmo que dizer que o FMI espera um desvio de 1,25 mil milhões de euros que terá necessariamente reflexos na meta do défice. E por isso, o director da instituição, Poul Thomsen, exige mais medidas de austeridade.
“São necessárias medidas adicionais para atingir a meta de défice de 2,2% a 2,3% do PIB que o governo fixou”, alerta Poul Thomsen, citado pelo Dinheiro Vivo.
O director do FMI repara que “tem havido relaxamento orçamental nos últimos dois anos e isso vai claramente na direcção errada para um país que tem uma dívida elevada e não tem margem orçamental”.
Numa conferência de imprensa em Washington, nos EUA, Poul Thomsen lembrou que Portugal “fez reformas estruturais importantes” e que “está numa posição melhor do que antes da crise financeira”, mas que a situação continua a ser “difícil”.
O ministro das Finanças, Mário Centeno, terá refutado as críticas do FMI, notando que “a execução orçamental até final de Março está a correr bem e em linha com os objectivos anuais, não suscitando esse debate das medidas adicionais”, conforme refere o Dinheiro Vivo.
Mas é bem provável que Centeno seja mesmo obrigado a apresentar o Plano B com mais austeridade, que vem sendo também exigido pelas instâncias europeias e que António Costa garantiu que não seria necessário.
No debate quinzenal no Parlamento, nesta sexta-feira, António Costa admitiu que a economia vai crescer menos do que o esperado, frisando que as previsões do FMI para a economia mundial e europeia “não são boas” para Portugal.
Na quinta-feira, o governo aprovará o novo Programa de Estabilidade e é quase inevitável que reflicta um cenário mais pessimista e mais do agrado da Comissão Europeia, do BCE e do FMI.
SV, ZAP
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