“É repugnante Portugal ter-se tornado a lavandaria das elites angolanas.” O desabafo é do hacker Rui Pinto nas vésperas de ser julgado no chamado caso Doyen, com a garantia de que está cá “para lutar” e com um único arrependimento na consciência.

Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, efectuada num “local secreto” em Lisboa, Rui Pinto fala da sua passagem pela prisão e das expectativas para o julgamento do caso Doyen, onde é acusado de 90 crimes.

Rui Pinto diz estar “absolutamente seguro” de que será ilibado e só tem um arrependimento em mente.

Lamento especificamente ter tido contacto com Nélio Lucas“, salienta, referindo-se ao empresário português que esteve ligado à Doyen, Fundo de Investimentos que tem ligações ao mundo do futebol.

“Era ingénuo nessa altura. E estou contente por ter recuado a tempo”, considera ainda Rui Pinto que está a ser acusado de tentativa de extorsão por ter, alegadamente, proposto a Nélio Lucas o pagamento de um valor para não divulgar os documentos do chamado “Football Leaks”.

Rui Pinto garante estar inocente dessa acusação, frisando que “as provas mostram-no claramente”. “Mas a Procuradora não quis olhar para elas” e “preferiu cortar as partes que [o] ilibavam das acusações de extorsão”, assegura.

Estou cá para lutar e para mostrar a todos que sou um whistleblower e fiz o que tinha que fazer”, diz também Rui Pinto, manifestando a revolta com a investigação Luanda Leaks que ajudou a despoletar.

“É repugnante Portugal ter-se tornado a lavandaria das elites angolanas“, considera o pirata informático.

Abordando os tempos que passou na prisão, Rui Pinto refere que “o isolamento deixa sempre algum tipo de marca”, apontando que depois de ser libertado para ficar em prisão preventiva, tinha alguns problemas em concentrar-se.

Rui Pinto também garante que manteve uma “relação espectacular com os guardas prisionais”, realçando que tiveram “enorme respeito” por ele.

Na opinião do hacker, “todos os cidadãos portugueses têm a noção da realidade portuguesa” e do facto de estarmos “sufocados pela corrupção”, pelo que acredita que foi por isso que os guardas o trataram tão bem.

O sector prisional é uma área “onde o Governo costuma fazer muitos cortes, por isso, eles apreciam tudo o que fiz para mostrar a realidade do sistema”, vinca ainda Rui Pinto.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]