A agência de notação financeira Fitch retirou Portugal do ‘lixo’ melhorando em dois patamares o ‘rating’ atribuído à dívida pública portuguesa, de ‘BB+’ para ‘BBB’, o segundo nível da categoria de investimento.

Num anúncio feito ontem, a Fitch sobe o ‘rating’ atribuído à dívida pública e coloca-o sob uma perspetiva positiva, o que significa que se deve manter assim.

A melhoria da sustentabilidade da dívida pública e a redução das vulnerabilidades externas foram os dois principais fatores chave para que a Fitch melhorasse o ‘rating’ atribuído a Portugal.

A agência de ‘rating’ afirma que a dívida pública deverá descer “mais de três pontos percentuais” do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, ficando abaixo dos 127% do PIB, o que representa “a primeira descida” desde a crise das dívidas soberanas.

A Fitch entende que “a trajetória da dívida está numa tendência forte de descida” e que se vai manter no médio prazo, explicando que esta dinâmica favorável é conduzida “pela combinação de medidas estruturais, a recuperação cíclica e uma melhoria substancial nas condições de financiamento”.

A agência refere também a redução nas vulnerabilidades externas: “a balança corrente terá este ano o quinto excedente consecutivo apesar do forte crescimento da procura interna, que é balanceado pela melhoria estrutural na competitividade externa”.

Ainda assim, a Fitch alerta que a dívida externa líquida, a rondar os 90%, continua “muito elevada” comparando com outros países com classificação ‘BBB’, mas considera que a redução desse endividamento “está a progredir a um ritmo gradual”.

A Fitch destaca também a “melhoria significativa” na frente orçamental, estimando que o défice orçamental desça para 1,4% do PIB no final deste ano (depois de ter atingido 7,2% em 2015), a “forte recuperação económica” desde meados de 2016 e a “forte performance do mercado de trabalho” com a redução da taxa de desemprego para 8,6% em setembro.

“Apesar da forte performance nos trimestres recentes, a Fitch mantém a sua assunção de um crescimento potencial de médio prazo em torno dos 1,5%“, lê-se no relatório da agência.

Em relação à estabilidade financeira, a Fitch considera que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do BCP e que a venda do Novo Banco “ajudam a mitigar os riscos”, alertando no entanto que o nível elevado de crédito não performativo (NPL, na sigla em inglês) “continua uma preocupação e uma limitação ao crescimento no médio prazo”.

Por fim, entre os fatores positivos está a melhoria das condições de financiamento, com a agência de ‘rating’ a estimar que a despesa orçamental com juros desça de 3,9% do PIB este ano para 3,6% do PIB em 2018.

A Fitch é a segunda das três grandes companhias de ‘rating’ internacionais a retirar Portugal da notação especulativa (ou ‘lixo’), depois de a Standard and Poor’s (S&P) o ter feito em meados de setembro passado. Apenas a Moody’s continua a atribuir uma nota abaixo do investimento a Portugal.

[sc name=”assina” source=”Lusa” ]