O especialista em medicina do sono Joaquim Moita avisa que o fim da hora de inverno seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite.
A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, acabando com a distinção entre horário de verão e horário de inverno.
Em declarações à agência Lusa, o médico Joaquim Moita, que dirige o Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Associação Portuguesa do Sono, lembra que o cérebro humano precisa de exposição à luz solar para acordar devidamente.
“Se acabar a hora de inverno, entre os meses de novembro e janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista. Ora, às 08:15 muitas das crianças e adolescentes portugueses já estão a ter aulas ou pelo menos a caminho da escola.
“O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar”, explica.
O especialista frisa que uma das regras básicas da higiene do sono é precisamente levantar à mesma hora e procurar a exposição solar, o que pode ficar comprometido caso se acabe com a hora de inverno.
“Os mesmos problemas também se podem aplicar ao mundo do trabalho. É muito preocupante para as faixas etárias mais jovens, mas também para quem já trabalha”, indicou o especialista do sono.
Joaquim Moita julga que haveria vantagens em manter a hora de inverno e considera que as alterações entre hora de verão e hora de inverno não constituem qualquer problema médico, até porque o organismo se adapta facilmente a estas mudanças de hora.
O perito lembra que os portugueses “já dormem pouco”, considerando que o fim da hora de inverno pode ainda prejudicar mais o descanso, o número de horas de sono e a forma como se desperta.
Mudança leva os cidadãos para a Idade Média
Em igual sentido, o professor do Departamento de Física Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Mira e o físico da Universidade de Sevilha, José María Martín Olalla, concordaram que a decisão de eliminar a mudança de hora semestral em toda a União Europeia “é um passo atrás” que “quebra a estabilidade horária na Europa”.
Para Mira, a decisão é um “passo atrás”, que leva os cidadão para o “tempo da Idade Média”, através da “imposição” de ideias de pessoas “que concebem que a Terra é plana”, reiterou o professor universitário.
Ambos os físicos concordam que a abolição da hora de inverno é um claro passo atrás.
“A razão para a mudança de hora é que o planeta gira o seu eixo de rotação desviado do eixo da órbita, de modo que a diferença entre o dia e a noite muda muito“, explicou Mira em declarações à Europa Press.
O cientista deu o exemplo concreto da Galiza, salientando que a diferença entre o dia e a noite no solstício de verão é de seis horas e 40 minutos e, “apenas três meses depois” essa diferença passa para zero horas.
Mira prosseguiu explicando que, três meses depois a diferença passa a ser de seis horas e 45 minutos a favor da noite. ” A cada três meses, temos seis horas e 45 minutos de variação e a mudança de tempo foi uma forma de atenuar um pouco essa variação, que é o posicionamento mais lógico”, concluiu.
Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora na consulta pública realizada este verão, de acordo com resultados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Comissão Europeia.
Os resultados preliminares publicados pelo executivo comunitário revelam que os portugueses que participaram no inquérito online estão em linha com a média europeia, já que 85% também defenderam que deixe de se mudar o relógio duas vezes por ano, o que Bruxelas pretende agora implementar, com a apresentação de uma proposta legislativa. Os resultados finais serão avançados nas próximas semans.
Naquela que foi, de forma destacada, a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde o assunto foi particularmente mediatizado, apontando a Comissão que a taxa de participação em percentagem da população nacional variou entre os 3,79% na Alemanha e os 0,02% no Reino Unido, tendo em Portugal participado no inquérito 0,33% da população.
Os resultados preliminares, acrescenta Bruxelas, “indicam também que mais de três quartos (76%) dos participantes consideram que mudar de hora duas vezes por ano é uma experiência «muito negativa» ou «negativa»”, e “como justificação do desejo de pôr fim a esta regras alegam o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
É incrível virem agora ditos pseudo-especialistas falar das crianças que vão acordar sem sol de manhã às 8:15 para ir para as aulas?? Lol são quantos dias? Uma semana? Duas? As tais em que estão de férias de natal e levantam-se às 10 ou 11 da manhã? O tal dito especialista esqueceu-se dessas férias? E por acaso lembrou-se dis adultos e do deprimente que é perder-se um hora de luz no final do dia quando a maioria que trabalha acaba por volta das 7 da tarde? Tão e os dias em que estiver enevoado e que as dez da manhã ainda parece de noite? As crianças não vão às aulas? Hoje em dia com a iluminação, televisão e toda a atividade noturna a maioria prefere viver a tarde e não a manhã. Sou a favor de se manter a hora de verão sim e acabar com esses estudos estúpidos. Não há hora de inverno! Eu fui um dos que votou no estudo. Quem não votou tivesse votado. Nunca vi deixarem de eleger deputados por causa dos que não votam...