Rui Miguel Pedrosa / Lusa

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves.

O adjunto do presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Telmo Alves, que também é filho do autarca, disse em Tribunal que desconhece o processo de reconstrução das casas ardidas no incêndio no concelho, em 2017, apesar de ser o coordenador do Gabinete Operacional de Recuperação e Reconstrução que foi criado no rescaldo da tragédia.

Telmo Alves foi arrolado como testemunha de defesa do presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, no âmbito do processo de reconstrução das casas onde é arguido por crimes de prevaricação de titular de cargo político, falsificação de documentos e burla qualificada.

“Não sei, não tenho memória, não consigo precisar” ou “isso era com o vereador Bruno Gomes”, foram algumas das declarações de Telmo Alves no Tribunal de Leiria, durante um depoimento de cerca de hora e meia.

Telmo Alves garantiu que apesar de ter no nome “reconstrução”, o Gabinete Operacional de Recuperação e Reconstrução (GORR) “nunca teve nada a ver com os processos de reconstrução das casas”.

“O nome tem a ver com reconstrução da vida das pessoas”, justificou, sublinhando que foi o Fundo Revita que tratou de todos os processos e que, portanto, desconhece o seu desenvolvimento.

Telmo Alves adiantou ainda que Valdemar Alves “nunca deixou de estar na Câmara de Pedrógão Grande” e que “só mais tarde surgiu um despacho a designá-lo para integrar a comissão de gestão do Revita

“.

A testemunha disse não conseguir “explicitar as funções de Valdemar Alves” no Revita, revelando ainda que, tendo em conta o fluxo elevado de procura de ajuda, “houve necessidade de criar um gabinete de apoio“.

Ao ser confrontado com ’emails’ da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para si sobre 17 novos processos de reconstrução, Telmo Alves afirmou em tribunal não se recordar do que se tratava.

A testemunha também desconhece se houve dinheiro do Fundo Revita a ser aplicado no apoio à agricultura.

O debate instrutório ficou marcado para o dia 30 de Janeiro, pelas 14 horas.

O incêndio de Junho de 2017 começou no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, alastrando depois a concelhos vizinhos. Causou 66 mortos e 253 feridos, provocando ainda a destruição de 500 casas, 261 das quais de habitação permanente.

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