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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, admitiu que a questão da ilegalização do Chega venha eventualmente a colocar-se.

Fernando Medina disse, em entrevista ao Observador, não ter dúvidas sobre o carácter “xenófobo, racista e intolerante” do Chega e criticou o PSD pelo acordo feito com o partido.

Questionado sobre porque não houve um movimento para pedir ao Tribunal Constitucional que ilegalize o Chega, Medina disse não saber, mas admite que “essa questão venha a pôr-se”.

No que depender de si, Medina afirmou que o Chega seria ilegalizado. “Aliás, nem vejo responsáveis da direção nacional do PSD a negar o que são elementos identitários do Chega porque eles fazem parte. Vemos movimentos de extrema direita, xenófoba racista e intolerante, que não são novos no nosso país”, atirou.

“Não vejo nenhum bom resultado que o PSD retire disto que não seja a sua fragilização”, atirou o autarca lisboeta. E vai mais longe ainda: “O que se traduziu para o plano nacional é uma legitimação completa do Chega”.

“No dia em que Governo do PS cair o que estará como alternativa será um governo liderado pela direita com o apoio do Chega”, disse ainda Fernando Medina, admitindo que o Governo atravessa um momento sensível.

Em relação às eleições nos Açores, o socialista defendeu as suas próprias cores e disse que preferia que o PS tivesse ganhado com maioria absoluta. “Além de não termos conseguido essa maioria, não existiram condições para uma maioria parlamentar à esquerda no quadro do Parlamento açoriano”, acrescentou.

O acordo com o Chega pode trazer consequências para o PSD e Medina admite mesmo que “é profundamente negativo para o país”. Ainda para mais, “integrou na normalização do debate político uma parte importantíssima do Chega que faz parte do elemento identitário que é contrária a valores fundamentais de direitos humanos, de tolerância, de vida em comunidade”.

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