Mário Cruz / Lusa
O secretário-geral da Fenprof revelou que os sindicatos de professores estão a ponderar pedir uma aclaração da decisão do colégio arbitral que decretou os serviços mínimos, considerando a decisão “ilegal”.
“O acórdão manda fazer coisas ilegais, isso é estranho”, disse Mário Nogueira, acrescentando que os advogados e juristas dos sindicatos de professores estão a analisar o eventual pedido de aclaração da decisão do colégio arbitral, que tinham de formalizar até às 04h25 da madrugada de quarta-feira.
Mário Nogueira falava aos jornalistas depois de se reunir, numa comitiva de organizações representativas dos professores, com o presidente do PSD, Rui Rio, na sede do partido, em Lisboa.
“O acórdão diz que as reuniões devem realizar-se com 50% mais um e isso é o quórum. Isto é ilegal, porque quórum das reuniões do conselho de turma está definido em legislação própria. O acórdão diz que os senhores diretores devem recolher notas antecipadamente ao conselho de turma de professores que não forem porque estão em greve. Isto é ilegal”, sustentou.
“Nem sei bem como fará uma escola em que um professor cedendo a sua proposta de avaliação coloca à frente da proposta uma nota que diga ‘dependendo de decisão final do conselho de turma’. Depois como é que é, se no conselho de turma não estão as pessoas?”, acrescentou.
O líder sindical ainda disse que estas foram as questões que sobressaíram de uma “primeira leitura” da decisão.
A reação de Mário Nogueira surge pouco depois do Ministério da Educação anunciar, na terça-feira, que o colégio arbitral nomeado para decidir serviços mínimos na greve dos professores às avaliações decretou “por unanimidade”
que estes se vão aplicar aos conselhos de turma.O Ministério decidiu recorrer ao colégio arbitral para requerer serviços mínimos, por não ter conseguido chegar a acordo com os sindicatos. Este foi um mês conturbado para a Educação. A greve, previamente marcada, cancelou mais de 8 mil reuniões de turma e deixou quase 46 mil alunos sem notas internas.
Governo tem de cumprir, diz Rui Rio
À saída da reunião com Mário Nogueira, o presidente do PSD disse que o Governo tem de cumprir a sua palavra e que as contas deveriam ter sido feitas antes das promessas.
“O Governo, quando se comprometeu, deveria saber exatamente quanto custava e quanto tempo precisava para poder contar o tempo todo e pagar tudo o que é justo que seja pago. Temos a certeza que o Governo não fez essas contas“, disse Rui Rio em declarações à TSF.
Acrescentando ainda que essas contas são necessárias “para saber em que medida é possível cumprir aquilo que é justo, que é contar o tempo todo”, concluiu.
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