A farmacêutica norte-americana Pfizer descobriu que um dos seus medicamentos poderia reduzir os riscos de sofrer Alzheimer em 64%, mas ocultou a informação do público.

O Washington Post teve acesso a centenas de milhares de reclamações de seguros e diz que a empresa não investigou os efeitos secundários do medicamento devido aos elevados custos que tal envolveria.

O medicamento em questão é o Enbrel, um potente anti-inflamatório para a artrite reumática e um dos produtos mais vendidos pela Pfizer. A farmacêutica detetou os benefícios do Enbrel para o Alzheimer em 2015. Na altura, trabalhadores da empresa insistiram para que fossem realizados testes científicos rigorosos em milhares de pacientes para explorar e comprovar estes efeitos.

A Pfizer decidiu não avançar com a investigação, uma vez que seriam precisos cerca de 80 milhões de dólares (cerca de 71 milhões de euros) para o ensaio clínico. Do ponto de vista do mercado, estes efeitos positivos do medicamento no Alzheimer não significariam

um aumento do lucro da empresa. “O medicamento já enfrentava competição de medicamentos genéricos”, refere o jornalista norte-americano Christopher Rowland.

A farmacêutica terá dito que não havia provas suficientes que confirmassem os benefícios do medicamento, uma vez que o Enbrel não atua diretamente no cérebro. A empresa estudou o medicamento durante três anos, mas abandonou a investigação. Ed Harnaga, porta-voz da Pfizer, disse que a decisão de não investigar os efeitos foi “científica”.

Clive Holmes, professor de psiquiatria biológia na Universidade de Southampton disse que a Pfizer não terá investido na investigação simplesmente porque não queria ver o seu mercado ser invadido por medicamentos genéricos.

A Pfizer terá partilhado os dados do Enbrel com pelo menos um cientista. Investigadores consultados pelo jornal referem que a farmacêutica deveria ter partilhado o estudo com mais cientistas e investigadores.

O Enbrel deu à Pfizer um lucro de 2,1 mil milhões de dólares (cerca de 1,8 mil milhões de euros) em 2018. As farmacêuticas são frequentemente criticadas por não divulgarem os resultados negativos dos seus medicamentos. Como refere o El País, não existe consenso sobre qual a obrigação destas empresas de divulgarem os possíveis efeitos positivos dos seus produtos.

O Alzheimer é um tipo de demência que se carateriza por problemas na memória, pensamento e comportamento. A doença é incurável.

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