André Ventura / Facebook

André Ventura, candidato PSD/CDS à Câmara de Loures

O antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, defende que o partido fez mal em apoiar a candidatura de André Ventura à Câmara de Loures, mas não pelos comentários polémicos do candidato: porque “é comentador de futebol numa estação de televisão”.

O social democrata, comentador na SIC e antigo presidente do PSD, comentou a candidatura de André Ventura, que muito tem dado que falar, devido às afirmações polémicas contra a etnia cigana que levaram até à retirada de apoio do CDS.

Marques Mendes diz este domingo que “se mandasse, felizmente não mando coisa nenhuma: eu acho que este candidato nunca devia ter sido candidato, mas por uma outra razão até”. Porquê? Porque “é comentador de futebol na CMTV”.

“Eu sou um grande adepto da separação entre política e futebol, pertenço àquele conjunto de pessoas que gosta de política e de futebol, mas acho que as coisas convivem bem se estiverem separadas”, diz Marques Mendes.

É um retrocesso no PSD: no tempo do cavaquismo houve muito o recurso a candidatos do mundo do futebol mas mais tarde cortou-se com isso e agora volta-se ao passado. Por mim, continuo a ser favorável a uma completa separação entre política e futebol”, concluiu o comentador, que enquanto líder do PSD vetou nomes ligados ao futebol, como o de Valentim Loureiro, para candidatos do partido às autárquicas.

Em relação aos comentários polémicos de André Ventura sobre a comunidade cigana, Marques Mendes considera que o candidato esteve mal ao generalizar.

André Ventura “está certo quando diz que há problemas com comunidades ciganas, o que é errado é a generalização”. Porque “dizer que os ciganos não cumprem as leis – só porque alguns prevaricam – é um disparate tão grande quanto dizer que o PSD é um partido de desonestos só porque um ou outro militante esteve envolvido no BPN” – “não se pode generalizar.”

O pior é o populismo

“. “O candidato não usou este tema para ajudar a resolver um problema” mas “para ganhar votos à custa de um preconceito” e “isto não é aceitável”. “A política não é a arte do vale tudo. Tem de haver regras. Nem todos os meios são legítimos para atingir os fins que se pretendem.”

O comentador social democrata concluiu apontando culpas também às autoridades, no que toca ao cumprimento de leis por parte da comunidade cigana: “Quem tem que aplicar as leis são as autoridades e quem prevarica tem, evidentemente, de ser punido, cigano, seja muçulmano, seja um português qualquer, normal”.

“Candidato racista”, diz o El País

O jornal espanhol deu a conhecer o “candidato racista que rompeu a coligação portuguesa de centro-direita”, André Ventura. No país vizinho, o El País fala do candidato à Câmara de Loures como alguém que “procura votos sem se importar de onde vêm ou como, independentemente das boas maneiras ou princípios”.

O jornal ridiculariza o candidato, dizendo que “tirando romeno”, André Ventura fala “quase tudo: espanhol, árabe, inglês, hebraico e francês. É licenciado em direito e até dá aulas nas universidades lisboetas”.

El País termina o artigo a dizer que Ventura, “encorajado pelo apoio do chefe do partido, Passos Coelho, acredita que as eleições de 1 de outubro lhe vão dar ou retirar a palavra. ‘O julgamento será feito pelos eleitores'”.

O jornal remata dizendo que “talvez sim, talvez não. Talvez o julgamento seja feito por juízes, já que o Bloco de Esquerda denunciou o candidato à Ordem dos Advogados por incitação ao ódio racial”.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]