Manuel Fernando Araújo / Lusa
O presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, acusou o Governo, esta quarta-feira, de desarticulação na implementação do estado de calamidade no município.
Em declarações à TSF, Salvador Malheiro disse que o texto publicado em Diário da República, assinado pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, não corresponde “ao despacho que surgiu ao final da tarde”.
O autarca explicou que, “nessa publicação, cai a interdição de as empresas poderem continuar a trabalhar”, o que resulta num “documento incongruente” que permite que as indústrias possam “laborar”, mas que os camiões de mercadorias e os funcionários vindos de outros municípios não possam entrar nas fábricas.
Segundo o autarca, o município pretende “implementar esse plano”, lembrando que não basta “acionar um mero botão” para que tudo se resolva.
Para Salvador Malheiro, a “incongruência” do texto publicado em Diário da Repúblic
a é uma “falta de respeito por quem está a dar o corpo às balas”.O presidente da Câmara de Ovar disse ainda que tem havido um “um reforço por parte da segurança pública”, que “a cerca sanitária está implementada” e que a circulação está a ser reduzida.
Na terça-feira, foi declarado estado de calamidade pública em Ovar, onde o número de casos confirmados de infeção por coronavírus duplicou nas últimas 24 horas, havendo mais de 30 casos.
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«...Falta de respeito por quem está a dar o corpo às balas...» - Salvador Silva in ZAP aeiou
Coitado, os efeitos da quarentena já fazem o sr. Silva imaginar que estão ser disparadas balas contra os corpos.
Agora vamos ao que interessa.
É inadmissível que o Governo, a Presidência da República, e os partidos da Assembleia da República (AR) impeçam os cidadãos de fazerem o seu dia-a-dia ou de irem trabalhar por causa do exercício militar «Defensor da Europa 20» (Defender Europe 20 pela sua sigla em inglês).
Assim como ocultar uma crise económica com a disseminação de um vírus (Covid-19), por forma a impor medidas financeiras, laborais, e jurídicas, que dificilmente seriam aceites pelos cidadãos é do mais escroque que pode existir.
E igualmente medíocre é servirem-se dessa mesma disseminação do vírus (Covid-19), para testarem e analisar em locais e transportes públicos ou nos locais de trabalho de empresas privadas ou públicas, tecnologia que em breve será parte do nosso quotidiano, ao mesmo tempo que realizam um gigantesco experimento social com o objectivo de aniquilar a liberdade individual dos cidadãos e implementar lentamente uma ditadura neoliberal.
P.S.: Medidas económicas, laborais, jurídicas, sociais, ou tecnológicas, devem ser discutidas com os cidadãos e nunca decididas e impostas sem os mesmos serem consultados e todas as partes chamadas ao debate; o que se está a fazer é um atentado à República e ás Liberdades Civis para justificar a nova falência feita acontecer do corrupto sistema financeiro dominado pelo regime da Inglaterra e perda de influência do mesmo.