(cv) Sylvia Machado / YouTube

A avaliação das Secretas aponta que a extrema-direita portuguesa continua a aproximar-se das principais tendências europeias.

Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna aprovado na quarta-feira pelo Conselho Superior de Segurança Interna, citado pelo Diário de Notícias, os movimentos ligados à extrema-direita voltaram ao ativo e em força em 2017.

Sintoma disso mesmo pode ter sido o incidente deste fim de semana em que dois grupos rivais de motards, sendo que um deles era liderado por Mário Machado, entraram em conflito num restaurante em Loures.

De acordo com a avaliação das Secretas, “a extrema-direita portuguesa continuou a aproximar-se das principais tendências europeias”, na luta pela “reconquista” da “Europa pelos europeus” e que “para além de intensificarem os contactos internacionais, estes extremistas desenvolveram um esforço de convergência dos seus diferentes sectores (identitários, nacional-socialistas, skinheads), no sentido de promoverem, no plano político e metapolítico, os seus objetivos”.

Uma das novidades no panorama nacional foi o nascimento do grupo dos motards “Los Bandidos”, que Mário Machado trouxe para Portugal, históricos rivais dos “Hell Angels”.

Os espiões do SIS acompanharam também de perto, no ano passado, o movimento político “Nova Ordem Social”, também ele criado por Mário Machado.

Assistiu-se a “um reforço da propaganda online e à multiplicação de iniciativas com alguma visibilidade – como concertos, conferências, apresentações de livros e protestos simbólicos – participadas por militantes de diferentes quadrantes”, nota o RASI.

Os espiões sublinham que a “violência permaneceu como um traço marcante da militância de extrema-direita, havendo registo de alguns incidentes, nomeadamente agressões a militantes antifascistas”. Além disso, notam, “no seio do movimento skinhead neonazi, alguns militantes continuaram envolvidos em atividades criminosas extra militância”.

A última grande operação contra este género de organizações aconteceu em novembro de 2016, com a Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ a deter 17 skinheads neonazis que tinham agredido pessoas motivados por racismo, ideologias e xenofobias.

Nenhum ficou em prisão preventiva. Mais de metade dos suspeitos eram novos recrutas – hangarounds e prospects – da fação mais perigosa da organização, os Portugal Hammerskins (PHS).

Pelo menos desde 2014 que as autoridades têm estado atentas às movimentações destes grupos extremistas, tendo em conta a experiência que têm observado noutros países europeus, com o fenómeno migratório a a crise dos refugiados a servir de pretexto à radicalização de discursos.

Só em 2017 foi notado, no entanto, um maior impulso destas organizações.

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