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O Chefe do Estado-Maior do Exército, General Frederico José Rovisco Duarte

A “maior crise por que passou o Exército”: é um oficial superior na reserva quem o diz numa altura em que as repercussões do assalto à base de Tancos continuam a fazer mossa, com mal-estar no alto comando do Exército.

O primeiro-ministro António Costa já anunciou que mantém a confiança no ministro da Defesa, Azeredo Lopes, depois do roubo de armas de guerra dos Paióis Nacionais de Tancos. Mas não se pode dizer que o caso esteja sanado no interior do Exército.

O Observador falou com um oficial superior na reserva que fala da “maior crise por que passou o Exército e não é só dos últimos 15 anos”.

“Dentro da instituição, nunca vi tanta gente preocupada com o comando”, refere este mesmo oficial que não dá a cara.

Um bom retrato desse alegado mal-estar são as saídas de Faria Menezes, o Comandante das Forças Terrestres, e de Antunes Calçada, o Comandante de Pessoal, que pediram a passagem à reserva depois da exoneração dos cinco comandantes das unidades responsáveis pela segurança dos paióis de Tancos.

O chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte, agiu assim, imputando culpas directas à estrutura interna e disse no Parlamento que se sentia “humilhado” com o caso, ilibando o ministro da Defesa de qualquer responsabilidade.

Esta postura azedou as relações entre o CEME e os dois tenentes-generais, Faria Menezes e Antunes Calçada, que se demitiram conforme reporta o Observador, lembrando que os três homens “foram colegas de curso” e se conhecem “há mais de 40 anos”.

“Sabujo para cima e um cão para baixo”

Um sinal do desaguisado foi dado por Antunes Calçada, que também foi exonerado pelo Presidente da República do cargo de secretário do Conselho Superior de Defesa, durante a apresentação do livro “O Beijo da Quissonde”, do tenente-coronel na reforma Pedro Tinoco Faria, o homem que esteve por trás do protesto de oficiais, entretanto cancelado, para deposição das espadas em Belém.

“Sabujo para cima e um cão para baixo”, foram as palavras que Antunes Calçada usou, no evento, e que são interpretadas como uma “farpa” ao CEME.

O general assegura ao Observador que não foi isso que pretendeu. “Estava a referir-me à operação na Bósnia onde ele, Tinoco Faria, teve um comandante deste género”, salienta Antunes Calçada.

“Como comandante do Exército discordei dele uma série de vezes, mas frontalmente”, diz ainda o general, acrescentando que “demitir cinco pessoas sem culpa formada faz-se no fim de um processo disciplinar” e “não se anuncia assim na praça pública”.

Por seu lado, Faria Menezes reagiu através do Facebook, onde escreveu que “o vínculo sagrado da confiança entre comandante e soldados nunca pode ser quebrado

“.

Não sei formar na parada nem marchar com o passo trocado, violando valores e princípios partilhados com excepcionais oficiais, distintos sargentos, exemplares praças e dedicados civis que servem Portugal e os portugueses todos os dias e em todas as circunstâncias”, escreveu ainda Faria Menezes.

Costa reitera confiança no ministro e no CEME

No domínio político, o primeiro-ministro manifestou “total solidariedade” para com o CEME e toda a confiança política no ministro da Defesa.

Declarações proferidas no final de uma reunião de duas horas e 20 minutos sobre segurança em instalações militares com o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (Artur Pina Monteiro), com os chefes dos três ramos militares, Exército (Rovisco Duarte), Armada (Silva Ribeiro) e Força Aérea (Manuel Teixeira Rolo), e com o ministro da Defesa, no seguimento do furto de granadas de mão, granadas anticarro e explosivos de Tancos.

“Agradeço a hombridade com que as Forças Armadas, e em particular o CEME, assumiram as responsabilidades relativamente a esta matéria”, realçou António Costa, notando “a total solidariedade com o CEME e a forma como tem exercido o seu comando e o continuará a exercer”.

“Os portugueses devem respeitar e admirar as suas Forças Armadas”, disse ainda o primeiro-ministro que nesta quarta-feira vai enfrentar um duro debate do Estado da Nação, com o tema de Tancos e de Pedrógão Grande como principais “balas” da oposição.

A Procuradoria-Geral da República anunciou na semana passada que abriu um inquérito ao caso do furto de Tancos, por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.

No Exército decorrem averiguações internas e o ministro da Defesa Nacional determinou uma inspecção extraordinária às condições de segurança dos paióis. O Presidente da República já solicitou o apuramento de todos os factos.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]