Wilson Dias / ABr

Os exames nacionais da 2ª fase surpreenderam os alunos. Pela primeira vez, foi pedido aos alunos que interpretassem um poema de Camões que não tinha sido lecionado nas aulas. No exame de MACS, uma das perguntas “não tem resposta”.

Foi uma professora que alertou o Instituto de Avaliação Educativa (Iave) do facto de o excerto – estâncias 26 a 29 do Canto VI – da obra Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, que saiu no exame nacional de Português da 2ª fase não constar no programa.

De acordo com o Público, o Iave justificou essa decisão com a necessidade de avaliar a capacidade dos alunos de demonstrar “capacidades de interpretação” em vez de mera reprodução de conhecimentos. Contudo, só neste exame de 2ª fase se tomou essa decisão, já que nos anos anteriores e, também, no exame da 1ª fase os alunos foram desafiados com a análise de estâncias d’Os Lusíadas que tinham sido analisadas em aula.

A professora que detetou a situação — que também é classificadora de exames — manifestou “perplexidade e indignação” pelo facto de, na sua opinião, ser “absolutamente inacreditável que os alunos tenham de ler e compreender quatro estâncias de Os Lusíadas que não correspondem a nenhuma das indicadas nos programas de Português”, mesmo tendo sido sempre dito que as provas podem “incluir suportes textuais diferentes dos indicados”.

A professora defende que “as estâncias analisadas em aula já são suficientemente difíceis” e considera que “não era preciso aumentar o grau de dificuldade”, sobretudo tendo em conta que “esta obra é particularmente complexa e que os alunos têm grande dificuldade” no seu estudo.

Há, também, um problema com o exame de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), uma disciplina no currículo dos alunos de Línguas e Humanidades. Uma das perguntas feitas aos alunos continha um “erro grave”, considerou o professor da Póvoa do Lanhoso que detetou o caso, que garantia que aquela questão, na forma como foi formulada, “não tem resposta”.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), Filipe Oliveira, também alertou o Iave para um “problema” nesta pergunta. Também a dirigente da Associação de Professores de Matemática (APM), Teresa Moreira, considera que “existe uma imprecisão na formulação da questão referida, que pode gerar respostas diferentes e que devem obviamente ser consideradas corretas”.

Nesse caso da Matemática, o Iave, depois de garantir ao professor que a tal pergunta tinha sido “caucionada por peritos”, respondeu ao Público que existe uma “fragilidade” na formulação da pergunta mas garantiu que esta não terá, “previsivelmente, qualquer impacto na resolução nem terá na sua classificação”.

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