Pedro Nunes / Lusa

O Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues

Um ex-professor diz que o actual ministro da educação “cometeu um crime” com uma bolsa de estudo, atribuída pelo Estado, para um estágio no âmbito do seu doutoramento. Tiago Brandão Rodrigues nega que tenha cometido qualquer irregularidade. Estão em causa 18 mil euros, que o ministro da Educação já devolveu.

Os factos remontam a 2001, quando Tiago Brandão Rodrigues solicitou uma bolsa de estudo à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), para um estágio de doutoramento na Universidade do Texas, nos EUA.

Só que esta Universidade não cobrava propinas, o que leva o professor da Universidade de Coimbra, Rui Carvalho, que então orientava o doutoramento do agora ministro, a acusá-lo de burla.

“Tiago Brandão Rodrigues cometeu um crime”, diz Rui Carvalho numa entrevista à revista Sábado

, notando que ficou a par da suposta fraude quando contactou a FCT para saber o que deveria fazer para deixar de ser orientador do doutoramento de Tiago Brandão Rodrigues.

Os dois estão de relações cortadas, nota a revista.

“Assim que dei o nome do candidato à senhora do departamento de bolsas, nem precisei de lhe dar a referência da bolsa. A senhora disse-me: ‘Ó senhor doutor, é uma grande coincidência estar a ligar-me porque nos últimos seis meses andamos a tentar contactar esse aluno para lhe pedir o recibo do pagamento de propinas em Dallas e não conseguimos’”, relata Rui Carvalho na Sábado.

O professor ainda diz que informou o actual ministro de que teria que devolver o valor da bolsa – 18 mil euros -, o que Tiago Brandão Rodrigues terá feito em Setembro de 2002, por iniciativa própria, conforme apurou a Sábado, citando documentos da FCT e uma cópia do cheque passado pelo actual governante.

Ministro nega burla com bolsa e processa ex-professor

O ministro já reagiu a estas alegações do ex-professor, garantindo, em declarações à Sábado, que não cometeu nenhuma ilegalidade e lamentando as “acusações cegas e ofensivas”.

De acordo com comunicado citado pelo Expresso, Tiago Brandão Rodrigues também revela que vai avançar com uma “queixa-crime” contra Rui Carvalho,  alegando que “não se trata de afirmações inocentes, tendo em conta o calendário político e os temas que têm estado na agenda do Ministério”.

Sem o dizer, o ministro faz claramente referência à questão dos contratos de associação entre o Estado e os colégios privados, cujas regras o governo quer mudar, o que tem causado muita polémica.

A FCT, por seu lado, garante “não haver indício de ilegalidade” no processo, conforme comunicado enviado ao jornal Expresso.

“A bolsa, iniciada a 1 de Outubro de 2001, incluiu um período no estrangeiro, tendo sido pago o correspondente subsídio de manutenção mensal e as respectivas taxas de laboratório. A 25 de Setembro de 2002, o bolseiro informou a FCT da redução do período de permanência no estrangeiro e de que não houve necessidade de pagamento de taxas de laboratório. Na sequência, a FCT apurou o pagamento em excesso, o qual foi devolvido na totalidade“, alega a FCT.

A Fundação também confirma que foi contactada por Rui Carvalho, por carta enviada a 30 de Setembro de 2002, isto é, cinco dias depois do contacto de Tiago Brandão Rodrigues no sentido de devolver a bolsa.

Todas as questões levantadas nessa carta foram esclarecidas, tendo a FCT apurado que nunca existiu sobreposição entre a bolsa de doutoramento atribuída pela FCT e qualquer outra bolsa”, aponta-se no mesmo comunicado.

ZAP