João Carvalho / wikimedia

Edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos, CGD

O anterior presidente da Caixa Geral de Depósitos, Carlos Santos Ferreira, entregou declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional com resposta em branco, o que constitui uma irregularidade que poderá não ter tido quaisquer consequências para o visado.

O jornal Público apurou que Carlos Santos Ferreira “nunca declarou” ao Tribunal Constitucional (TC) os rendimentos que ganhou na Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Uma notícia que surge a meio da polémica em torno da não entrega da mesma declaração por parte da actual administração da CGD.

O ex-presidente do banco público, cuja administração está associada a vários negócios ruinosos, entregou sempre as suas declarações de rendimentos e património, enquanto esteve no cargo, “mas só preencheu a parte relativa às remunerações quando iniciou funções, com ordenados que recebera antes de assumir o cargo”, aponta o citado diário.

Depois de assumir a presidência da CGD, Santos Ferreira não voltou a declarar os ordenados, nem nas declarações de renovação anuais, nem na de cessação de funções, conforme nota o Público.

Quando assumiu funções em Agosto de 2005, o ex-presidente da CGD declarou “306.364 euros de rendimentos em trabalho dependente em 2004, um veleiro, duas viaturas topo de gama

e uma moto Suzuki, além de cinco imóveis”, diz o Público.

Mas nas renovações anuais que entregou não fez qualquer alteração a esses rendimentos, nem revelou os rendimentos auferidos quando deixou o cargo, em 2008.

Esta circunstância constitui uma irregularidade que deveria ter sido detectada e sancionada pelo TC e pela Procuradoria-Geral da República, mas o Público não conseguiu resposta de nenhum dos órgãos quanto a se houve ou não consequências pelas omissões de Santos Ferreira.

A administração da CGD durante a gestão de Santos Ferreira está envolvida em polémica, por causa de vários negócios que se revelaram desastrosos para o banco, nomeadamente no caso La Seda em que foram seguidas “orientações políticas”, estando em causa possíveis perdas de 900 milhões de euros.

ZAP