Mário Cruz / Lusa

O antigo primeiro-ministro, José Sócrates

O ex-administrador da Portugal Telecom (PT), Jorge Tomé, arrasou as defesas de José Sócrates e de Ricardo Salgado no testemunho que prestou no âmbito da Operação Marquês, confirmando a tese de que a empresa foi usada em benefício do BES e dos acusados.

O semanário Sol e o Observador revelam, neste sábado, detalhes do testemunho prestado por Jorge Tomé, actual líder da Sonae e ex-administrador da PT, no âmbito da Operação Marquês que tem como arguidos mais mediáticos José Sócrates e Ricardo Salgado.

Nesse testemunho prestado no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), no dia 24 de Março passado, o ex-administrador da PT, entre 2002 e 2012, em representação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), confirmou a principal tese do Ministério Público, arrasando a versão das defesas de Salgado e Sócrates. Conforme atesta o Sol, Jorge Tomé alegou que a PT “foi usada para servir os interesses do BES e de Ricardo Salgado”.

O actual líder da Sonae apontou que teve “a percepção que o BES pressionava a administração da CGD para que votasse contra a OPA” da Sonae à PT. Tomé também disse que a administração da PT prometia “melhorar o rendimento dos accionistas” que votassem contra a OPA – o Ministério Público suspeita que Salgado pagou aos accionistas da PT que votaram contra a OPA.

O ex-administrador da PT também realçou que o Governo de Sócrates era contra a OPA, algo que o ex-primeiro-ministro sempre rejeitou, garantindo “uma posição de estrita imparcialidade nem contra nem a favor”.

Jorge Tomé disse, igualmente, que sentiu da parte de Zeinal Bava, então CEO da operadora, “um desconforto” e “preocupação” quanto a um “eventual sucesso da oferta” da Sonae.

O testemunho do ex-administrador é um “dos mais demolidores para as teses de defesa de José Sócrates e de Ricardo Salgado”, constata o Observador.

Entre as declarações de Jorge Tomé citadas pelo Observador e que comprometem os arguidos estão as ideias de que o Governo de Sócrates “utilizou as golden shares para bloquear a venda da Vivo aos espanhóis da Telefónica, de forma a impor a entrada da PT na Oi”, e de que os investimentos da PT em títulos de dívida do Grupo Espírito Santo “violaram os regulamentos da própria empresa”.

Sócrates atira-se aos “pistoleiros” das Finanças

O jornal Sol divulga também, na edição deste sábado, várias conversas telefónicas que José Sócrates terá mantido, no âmbito de uma notícia do Correio da Manhã sobre uma dívida fiscal da sua mãe que foi publicada dois anos e meio depois de sair do Governo.

Em causa estavam 47 mil euros devidos às Finanças por Maria Adelaide Pinto de Sousa, valor da contribuição pela venda de um apartamento no edifício Heron Castilho, em Lisboa.

Contactado pelo jornal, antes da publicação da notícia, Sócrates não prestou declarações, mas apressou-se a pagar a dívida da mãe e a fazer diversas diligências para obter “com a máxima urgência a declaração de não-dívida”, conforme nota o Sol.

O objectivo de Sócrates era garantir que a notícia era “falsa” e pediu ao seu ex-secretário de Estado Emanuel dos Santos para este “exigir ao director-geral dos Impostos”, Azevedo Pereira, “a emissão imediata de uma declaração de que a sua mãe nada devia às Finanças”, segundo relata o Sol.

O semanário divulga detalhes das conversas que Sócrates manteve com Emanuel dos Santos, com a sua secretária e com a sua ex-mulher, Sofia Fava, onde se refere aos funcionários das Finanças como “uns ‘bandalhos’” e “pistoleiros”, em que fala dos jornalistas do Correio da Manhã como “uns pulhas” e em que diz que o director-geral dos Impostos é “um merdas” e um “filho da p***”.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]