Marcelo Sayao / EPA

Jair Bolsonaro, candidato à Presidência do Brasil pelo Partido Social Liberal

Dezenas de deputados de diferentes grupos políticos do Parlamento Europeu (PE), incluindo portugueses, subscreveram o “Manifesto Internacional contra o Fascismo no Brasil”, expressando “o mais profundo repúdio” pelo candidato Jair Bolsonaro.

“Nós, mulheres e homens de várias partes do mundo comprometidos com a democracia e os direitos humanos, expressamos o mais profundo repúdio ao candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, que disputa a segunda volta da eleição presidencial no Brasil no próximo 28 de Outubro”, lê-se no manifesto subscrito, entre outros, pelos eurodeputados comunistas João Ferreira, João Pimenta Lopes e por Marisa Matias, do Bloco de Esquerda.

Os eurodeputados sublinham que as posições que Bolsonaro tem sustentado ao longo de sua vida pública e nesta campanha eleitoral são “calcadas em valores xenófobos, racistas, misóginos e homofóbicos”.

“O candidato de extrema-direita defende abertamente os métodos violentos utilizados pelas ditaduras militares, inclusive torturas e assassinatos. Tais posições atentam contra uma sociedade livre, tolerante e socialmente justa”, salientam.

Segundo os membros do PE, a decisão que o povo brasileiro tomará na segunda volta das eleições presidenciais constituirá “uma escolha de transcendental importância entre a liberdade e o pluralismo e o obscurantismo autoritário, com impactos duradouros não só para o Brasil mas para toda a América Latina e Caribe e o mundo”.

“Conclamamos as brasileiras e brasileiros a refletirem sobre a gravidade deste momento histórico. Entre a democracia e o fascismo não pode haver neutralidade!”, alertam.

Subscritores portugueses

São muitos e de vários quadrantes os portugueses que assinaram o manifesto em repúdio ao candidato do Partido Liberal Social. Eduardo Lourenço, Freitas do Amaral, Francisco Louçã, Pinto Balsemão, Pepetela, Ricardo Araújo Pereira, Pacheco Pereira, Manuel Alegre são alguns dos nomes, adianta o jornal Público

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De acordo com o matutino, estes são apenas alguns dos nomes de uma vasta lista de intelectuais, escritores, músicos, políticos, académicos, pessoas de vários quadrantes políticos que assinam o texto conjunto.

“Contra ele [Jair Bolsonaro], quem assina este apelo manifesta a sua solidariedade com a democracia e com os direitos sociais do povo brasileiro. Temos consciência de que vivemos tempos de ameaças sinistras e riscos de regressões civilizacionais. É por isso mesmo que valorizamos o campo da liberdade e da igualdade e apelamos à derrota de Bolsonaro“, pode ler-se no documento.

A carta é assinada também por personalidades ligadas a movimentos sociais, à academia, à política e conta com personalidade transversais às próprias forças partidárias, tendo nomes do BE, PCP, PS e PSD.

Entre estes, contam-se Ana Catarina Mendes, Ana Gomes, António Filipe, Carlos Coelho, Francisco Assis, Isabel Moreira, Marisa Matias, Teresa Leal Coelho, João Cravinho, Maria do Rosário Gama, Vasco Lourenço, André Freire, Fernando Rosas, Manuel Carvalho da Silva, Manuel Loff, Ricardo Paes Mamede.

Bolsonaro subiu nas intenções de voto

Jair Bolsonaro, de 63 anos, lidera as sondagens sobre a segunda volta das presidenciais do Brasil, com 58% das intenções de voto, segundo o Instituto Ibope. O candidato é criticado por adotar ideais da extrema-direita e por já ter manifestado admiração pela ditadura militar, regime que governou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985.

Esta candidatura também desperta receio porque ao longo da carreira e também desta campanha Bolsonaro fez declarações públicas consideradas machistas, racistas, homofóbicas e de apologia à violência.

A segunda volta das presidenciais do Brasil acontece no dia 28 de Outubro.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]