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A criação de alternativas ao corte do abastecimento água por falta de pagamento para as famílias de menores rendimentos é uma das propostas contidas num estudo hoje apresentado sobre “Acessibilidade económica aos serviços de água e saneamento na região Norte”.

Neste trabalho defende-se também a possibilidade de equacionar a não aplicabilidade da tarifa única nos consumos mais baixos, de modo a não penalizar as famílias de menores rendimentos, uma vez que “face à atual conjuntura económica e social, tem-se verificado um aumento significativo do número de famílias em situações de risco de exclusão social, facto agravado com a necessidade de aumento das tarifas”.

No estudo, coordenado pelo administrador regional da Administração da Região Hidrográfica do Norte, Pimenta Machado, sugere-se a definição de uma tarifa (Lifeline Tariffs ou Lifeline Service) de custo reduzido ou mesmo grátis, pensada no sentido de garantir o acesso a níveis mínimos de consumo, com o argumento de que a água é uma necessidade básica essencial à vida e, portanto, deve ser disponibilizada a custo zero ou a preços muito baixos aos consumidores domésticos (exemplo, Bélgica).

O autor sugere também que se deveria prever “a possibilidade de atribuição de subsídios à exploração a partir dos orçamentos municipais, no sentido de apoiar as famílias de menores rendimentos” e “reduzir as perdas de água na rede, que continuam a ser uma questão problemática no setor, que tem reflexos nas tarifas praticadas ao consumidor e, portanto, na acessibilidade”.

Propõe-se ainda a utilização de instrumentos de gestão da procura de água para racionalizar o seu custo para o consumidor, como por exemplo através das tarifas sazonais

e, no que diz respeito às medidas de assistência ao rendimento, o autor sugere a assistência direta através da atribuição de vouchers para serviços de água, (provenientes do governo, operadores, instituições de caridade).

Perante situações claras que identificam problemas de acessibilidade económica, conclui-se que os serviços de abastecimento e saneamento têm vindo a adotar medidas sociais que visam garantir o acesso a estes serviços considerados essenciais.

“As medidas previstas na maioria dos municípios estudados incidem nas tarifas sociais e nos tarifários progressivos por blocos, penalizando os consumidores de maior dimensão”, lê-se no documento.

Neste estudo realizado em 25 municípios da região Norte foram identificados problemas de acessibilidade económica à água, que no limite podem levar ao corte do fornecimento de água por falta de pagamento, impedindo o acesso a um bem essencial. Esta situação não ocorre numa boa parte dos países europeus, onde não é possível esse corte.

Por outro lado, sublinha o autor, “se compararmos as despesas dos agregados familiares portugueses tendo em conta para além dos serviços de águas, as outras ‘utilities’, nomeadamente eletricidade, gás e telecomunicações, mostra-nos que os serviços de abastecimento e de saneamento são os que pesam menos nas despesas das famílias”.

/Lusa