Um estudo realizado na Austrália concluiu que não existe relação entre o uso habitual de telemóveis e os casos de cancro de cérebro no país.

O estudo realizado por especialistas comparou o aumento no número de ocorrências da doença no país e o colocou na perspectiva do crescimento no total de utilizadores de smartphones.

A conclusão: os australianos não estão a sofrer mais com a enfermidade. A percepção de mais casos de cancro deve-se à evolução na medicina e nos métodos de diagnóstico, que facilitaram a identificação e o tratamento.

Foram analisados casos de cancro de cérebro entre 1982 e 2012, colocados ao lado de informações sobre a utilização de telemóveis entre 1987 – ano em que começaram a operar no país – e 2012.

Os aparelhos móveis tornaram-se mais comuns a partir de 1997, quando então se deveria encontrar uma maior incidência da doença – o que não aconteceu.

Neste período, o estudo descobriu que, entre australianos de 20 a 84 anos, quase não houve alteração nas taxas de ocorrência de cancro no cérebro. Pelo contrário, esta permaneceu estável no caso das mulheres e teve um ligeiro aumento, de menos de 5%, entre os homens.

Tendo-se em conta que o grupo com mais utilizadores de smartphones se localiza na faixa etária dos 12 aos 45 anos, não foi possível encontrar relações entre as duas ocorrências.

O estudo encontrou um aumento na taxa de cancro no cérebro entre os idosos de 70 a 84 anos.

No entanto, segundo os investigadores, esse crescimento já vinha a acontecer desde 1982, cinco anos antes da chegada dos telemóveis à Austrália, e duas décadas antes de estes se tornarem comuns entre os cidadãos.

É aqui que entra a principal conclusão do estudo: não há no país mais vítimas da doença. Há apenas mais pessoas a ser diagnosticadas.

Os investigadores apontam ainda que estudos semelhantes, ainda em andamento ou já concluídos em países como a Nova Zelândia, Noruega, Estados Unidos e Inglaterra, encontraram resultados semelhantes, o quelhes parece suficiente para afirmar que não existe relação entre o uso constante de telemóveis e o cancro no cérebro.

O estudo surge como resposta a uma onda que se levantou no início do ano, quando o livro “Desligue-se: A verdade sobre radiação móvel, o que a indústria fez para esconde-la e como proteger sua família”, da cancerologista Devra Davis, foi publicado.

O título, que por si só já é bastante alarmista, foi muito noticiado imprensa australiana e foi mesmo tema de um documentário do canal ABC, gerando preocupação entre os cidadãos e até mesmo uma campanha contra a utilização de smartphones.

Canal Tech