Dave Wild / Flickr

Não é apenas uma ideia de marketing, comprova-se cientificamente que as vacas felizes dão leite mais nutritivo. Foi o que concluiu um estudo feito nos Estados Unidos com vacas leiteiras.

Anteriores estudos já tinham apurado que a hormona natural serotonina, associada com sentimentos de felicidade, ajuda a manter os níveis de cálcio nas vacas.

Foi precisamente a partir dessa ideia que a Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, levou a cabo uma nova investigação em torno do potencial da serotonina para ajudar a aumentar os índices de cálcio, tanto no leite, como no sangue das vacas.

Os investigadores injectaram diariamente 24 vacas leiteiras, das raças Jersey e Holstein, as mais comuns nos EUA, com um composto químico que se converte em serotonina.

As injecções começaram a ser dadas quando os animais estavam quase a parir e mantiveram-se enquanto amamentaram os seus vitelos.

As análises aos níveis de cálcio no leite e no sangue das vacas revelaram que a serotonina aumentou os níveis globais de cálcio nas duas raças, salienta-se no estudo divulgado no Journal of Endocrinology.

“A serotonina aumentou o cálcio no sangue das Holsteins e o cálcio no leite das Jerseys“, revela a investigadora que liderou o estudo, Laura Hernandez, citada em comunicado no Alpha Galileo.

Laura Hernandez acrescenta que o “tratamento não teve nenhum efeito na produção de leite, nem no consumo da ração ou nos níveis de hormonas necessárias para a lactação”.

As vacas Holstein apresentaram níveis maiores de cálcio no sangue, mas níveis inferiores no leite, enquanto nas vacas Jersey

se verificou precisamente o contrário.

A investigação vai agora centrar-se no mecanismo molecular que permite à serotonina regular os níveis de cálcio e como é que se explica a diferença na “regulação dos níveis de cálcio” entre as duas raças.

O leite rico em cálcio é muito procurado e vendido nos supermercados a preços mais elevados. Mas os produtores de leite enfrentam, por vezes, situações em que as vacas leiteiras sofrem de hipocalcemia, ou seja, de baixos níveis de cálcio.

Este é um problema que afectará entre 5% a 10% das vacas leiteiras dos EUA, de acordo com o mesmo estudo.

A investigadora fala, assim, da “possibilidade de usar a serotonina como uma medida de prevenção contra a hipocalcemia”.

“Isso permitiria aos produtores de leite manter a rentabilidade dos seus negócios, enquanto garantiria que as suas vacas continuassem saudáveis e a produzir leite nutritivo”, salienta a investigadora.

A hipocalcemia provoca um decréscimo na capacidade de as vacas terem vitelos, aumentando os períodos de tempo entre as gestações, o que tem consequências em termos económicos para os produtores.

SV, ZAP