Real República Rapó-Táxo / e-funding.eu

Real República Rapó-Táxo

Os estudantes das Repúblicas dos Fantasmas e da Rapó-Táxo, Coimbra, apostam no sistema de angariação de fundos crowdfunding como uma das formas de garantir a compra das casas, que foram postas à venda por 600 mil euros.

Os herdeiros do senhorio “colocaram à venda” os dois imóveis, no Bairro Sousa Pinto, em Coimbra, onde se situam as duas repúblicas desde 1969, contou Hugo Gageiro, repúblico na Rapó-Táxo, referindo que a angariação de fundos através do sistema de “crowdfunding” é uma das formas de garantir financiamento para comprar a casa.

“É uma corrida contra o tempo”, sublinhou, considerando que a possível venda dos imóveis “é a venda da identidade” de espaços que “estiveram presentes na candidatura de Coimbra a Património Mundial”.

Todavia, a conquista dessa distinção por parte da cidade “não serviu de nada” para as repúblicas, contestou, referindo que outras repúblicas também estão em situações de risco.

Na República Rapó-Táxo, a ajuda e apoio “dos antigos” repúblicos é fundamental, quando a média de idades dos que lá habitam é de “20 ou 21 anos”.

Entretanto, estão já a ser pensadas também outras formas de garantir fundos para a compra da casa. A Câmara de Coimbra e a Universidade terão também já sido abordadas.

“Já tentámos marcar reunião com a Câmara há quase dois meses, que tinha mostrado interesse nas repúblicas, mas ainda não nos respondeu”, disse à Lusa Hugo Gageiro.

Mário Lança, da República dos Fantasmas, referiu que, para além do sistema de crowdfunding, os repúblicos daquela casa também estão a pensar “em algumas estratégias”, em parceria com “os antigos”.

Uma das possibilidades é criar-se um “sistema de quotas”, para um pagamento faseado.

Já em dezembro, devido à nova Lei do Arrendamento, mesmo sem a venda da casa, a renda poderá passar para 785 euros, valor que considera “muito difícil de suportar” pelos estudantes que lá moram.

A moradia “tem problemas estruturais no telhado e na fachada” e a casa “só está de pé devido às obras” feitas pelos repúblicos ao longo dos anos, salientou, esperando que seja possível uma negociação desse valor.

“Na pior das hipóteses”, quando acabar o regime de transição, “põem-nos daqui para fora sem qualquer negociação“.

A República dos Fantasmas já angariou na plataforma 5.140 euros e a República Rapó-Táxo 10.115 euros, sendo dez mil de fundos próprios que colocou na campanha.

O apoio é feito online nos sites dos projetos de crowdfunding da Casa dos Fantasmas e da República Rapó-Táxo, estando a campanha aberta até abril de 2015.

/Lusa