António Oliveira Salazar
Nem o Estado, nem a Câmara Municipal de Santa Comba Dão parecem saber o que fazer com duas estátuas de António de Oliveira Salazar. Haveria planos para as exibir no Museu Salazar, mas como o projecto não avançou, são uma “batata quente” para a qual o município de onde era natural o ditador não tem solução.
Estão em causa um busto de 500 quilos e uma estátua decapitada de 2,30 metros em bronze, ambas feitas pelo escultor Francisco Franco nos anos de 1930, como reporta o Público. A estátua decapitada é o que resta da que foi inaugurada em 1965 numa praça – em 1975 foi decapitada e em 1978, sofreu um atentado à bomba.
As duas obras foram cedidas pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) à Câmara Municipal de Santa Comba Dão, no âmbito de um protocolo que não referia o destino que teriam, mas que reportava para a “Rota de Figuras do Estado Novo“, um projecto que incluía a intenção da autarquia de transformar a “Escola-cantina Salazar” num Museu. Só que a contestação ao que foi interpretado como uma homenagem a Salazar levou à transformação do projecto na “Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado” que pretende também abordar outras figuras, como Aristides de Sousa Mendes.
Certo é que dois anos depois da cedência
das estátuas que aconteceu em Setembro de 2017, a autarquia ainda não decidiu o que fazer com elas.Numa reunião autárquica realizada a 12 de Novembro passado, o presidente da Câmara, Leonel Gouveia, referiu aos deputados municipais que as estátuas estão “em instalações municipais, devidamente acomodadas” e que, “a seu tempo” se verá “qual será a melhor utilização a ser dada”, como cita o Público.
O protocolo de cedência assinado entre a DGPC e a autarquia previa “a criação de condições adequadas à sua conservação e exposição nas instalações da Câmara”, mas tal nunca veio a acontecer.
O historiador João Paulo Avelãs Nunes, investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra que está envolvido no projecto da “Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado”, refere ao Público que a exibição das estátuas não será opção porque seria “uma assunção do elogio e não há nenhuma hipótese de isso acontecer”.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
Muito simples para aquela que é feita em bronze: é derretê-la e utilizar o valor apurado com a venda desse metal para financiar alguma entidade - ou várias - cuja actividade está ligada a apoiar os portugueses mais desfavorecidos.
Será sempre mais útil do que sendo utilizada para enaltecer esta malvada figura salazarenta e de má memória...!