Rodrigo Antunes / Lusa

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira

O Governo vai rever as projecções económicas na proposta de Lei de Orçamento de Estado para 2021 e é certo que o cenário traçado será mais negativo do que em Maio. “Temos de estar preparados para tudo”, alerta o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.

Em entrevista à TSF, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital assume que será necessário rever as projecções económicas feitas pelo Governo e que indicavam uma queda de 7% do PIB neste ano, com um défice também de 7%.

“A previsão que se fez foi apresentada em Março, depois revista em função das medidas que o Parlamento aprovou relativamente ao sentido do défice. É altura de o actualizar”, destaca Siza Vieira na TSF.

O governante nota que, nesta altura, é possível “fazer uma projecção mais rigorosa” quanto ao défice e ao crescimento económico.

E é certo que os efeitos da crise “vão ser mais duros no crescimento da economia portuguesa do que prevíamos em Maio, mas se calhar menos intensos do que algumas instituições internacionais apontaram mais recentemente”, constata Siza Vieira.

“Não podemos estar optimistas” com a situação económica, diz ainda o ministro, salientando que “temos de estar preparados para tudo”.

“A quebra da procura é muito significativa – caiu o consumo, caíram as exportações, caiu o investimento muito significativamente porque os agentes económicos estão a retrair-se em função da incerteza da situação sanitária”, nota.

Contudo, Siza Vieira acredita que “o máximo da contracção da economia já ficou para trás em Portugal, no resto da Europa, no resto do mundo”.

Governo estuda “alternativas” para financiar Novo Banco

O ministro da Economia também comentou as injecções de capital do Estado no Novo Banco, salientando que o Governo não quer pôr mais dinheiro na instituição, mas admitindo que pode ser necessário financiá-la ao abrigo do mecanismo de capital contingente através do Fundo de Resolução.

A grande questão é como vai ser o Fundo de Resolução financiado quando o Governo garantiu que não vai inscrever nenhuma verba para o Novo Banco no próximo Orçamento de Estado.

“Estamos a avaliar se há condições para, como antes, o Estado fazer um empréstimo ao Fundo de Resolução, posteriormente reembolsado pelo fundo com contribuições dos bancos ao longo de vários anos”, revela Siza Vieira na TSF.

“Neste momento, as condições políticas para aprovação de uma norma no Orçamento do Estado que viabilize, como antes, um empréstimo são difíceis. Portanto, estamos a avaliar alternativas”, acrescenta o ministro.

Estas declarações surgem numa altura em que se noticiou a possibilidade de criar uma espécie de “Sindicato Bancário”, juntando os maiores Bancos nacionais, para garantir o financiamento do Novo Banco.

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