Tiago Petinga / Lusa
O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos
O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, afirmou esta quarta-feira, em resposta a um deputado do CDS, que não só se demite das suas funções, como também continuará no palco político por “muitos aninhos”.
“A minha presença aqui devia ser suficiente para responder à sua pergunta”, afirmou, em resposta ao deputado do CDS João Gonçalves Pereira, durante uma audição na Assembleia da República, a pedido do Bloco de Esquerda, sobre o plano de reestruturação da TAP.
De acordo com o Expresso, o centrista ao ministro das Infraestruturas se tinha condições para continuar depois de ter sido desautorizado pelo primeiro-ministro, António Costa.
Pedro Nuno Santos, recorde-se, pretendia levar ao Parlamento o plano de reestruturação da companhia aérea portuguesa, ao contrário de António Costa, que veio a público dizer que a matéria em causa e cabia só e apenas ao Governo.
Considerando a pergunta do centrista provocatória, Pedro Nuno Santos disse ainda: “Estou aqui e vou estar aqui muitos aninhos
, pode ter a certeza do que lhe estou a dizer”.Na mesma audição, o governante afirmou que o acionista David Neeleman “não tinha um euro para meter na TAP” e que o Governo quis ser “senhor” do plano de reestruturação.
“David Neeleman não tinha um euro para meter na TAP”, garantiu.
Assim, prosseguiu, o Governo preferiu pagar 55 milhões de euros ao antigo acionista David Neeleman para sair da companhia e abdicar das prestações acessórias a que tinha direito, tornando-se, assim, “senhor do plano de reestruturação”, em vez de deixar essa responsabilidade a um privado que “mais cedo ou mais tarde” sairia da estrutura acionista.
“Tínhamos um sócio que não queria meter nem um cêntimo na companhia aérea. Os senhores [deputados] queriam que nós garantíssemos, que déssemos uma garantia pública para empréstimos à TAP, […] e eles continuariam a gerir a empresa de acordo com os seus interesses, […] que não estavam alinhados com os bons interesses do país e dos portugueses?” questionou o ministro das Infraestruturas e da Habitação.
Segundo avançou Pedro Nuno Santos, o outro acionista do consórcio Atlantic Gateway, Humberto Pedrosa (e que se mantém ainda na estrutura acionista) “abdicou voluntariamente das prestações acessórias”, que podiam ser convertidas em ações, ao contrário de David Neeleman.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
"Não se demite", mas devia.