Paula Brito e Costa anunciou hoje a decisão de abandonar a presidência da associação depois da reportagem da TVI divulgar gestão danosa.
“A minha presença já está a afetar a instituição e tenho de sair. Esta é uma cabala muito bem feita”, foi assim que Paula Brito e Costa confirmou ao Expresso a decisão de se demitir e abandonar a presidência da associação Raríssimas.
O anúncio surge três dias depois de ter sido denunciado que a presidente da Raríssimas estaria a usar dinheiro da instituição, que recebeu quase um milhão de euros do Estado em 2016, para levar uma vida de luxo.
Segundo o jornal, a fundadora falou com voz embargada e disse deixar “à Justiça o que é da Justiça, aos homens o que é dos homens e ao meu país uma das maiores obras, mas mesmo assim saio. Presa só estou às minhas convicções“.
O Expresso sabe que Paula Brito e Costa estava a negociar o abandono de funções com o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, desde a manhã de segunda-feira. No entanto, o jornal afirma que a ideia inicial da responsável seria outra: um afastamento.
“Pedi ao ministro a suspensão temporária de funções enquanto estivessem a decorrer as investigações, porque temos 300 meninos por dia na Raríssimas de quem é preciso cuidar. Esta opção foi estudada pelo gabinete, mas não existe a figura da suspensão temporária no quadro das IPSS e, portanto, saio”, explicou.
A sucessão de Paula Brito e Costa fica em aberto, uma vez que a Raríssimas estava sem vice-presidente desde maio e o substituto convidado, o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite, acabou por declinar a proposta na sequência de toda a polémica em torna da gestão de Paulo Brito e Costa.
“Saio e não sei quem fica“, diz. No mesmo dia da saída de Paulo Brito e Costa, entrou na Raríssimas o inspetor do Trabalho e da Segurança Social para a investigação pedida com urgência pela tutela e a ainda presidente da Raríssimas deixou escapar um desabafo: “A minha vontade era sentar-me ali, ao lado, dele e dizer-lhe ‘vá, vamos lá, diga-me fatura a fatura o que é preciso explicar’.”
Secretário de Estado Manuel Delgado também se demite
Segundo o Público, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, está de saída do Governo.
Manuel Delgado deixa o executivo na sequência das denúncias sobre a gestão da associação Raríssimas, da qual foi consultor, tendo por essa colaboração recebido um total de 63 mil euros, entre 2013 e 2014.
A saída de Manuel Delgado acontece numa altura em que o primeiro-ministro, António Costa, está fora do país, na cimeira One Planet, em Paris.
Segundo o mesmo jornal, o secretário de estado demissionário será substituído por Rosa Augusta Valente de Matos Zorrinho, de 53 anos, conforme informou o gabinete do primeiro-ministro, que aceitou o pedido de exoneração do cargo de Manuel Delgado.
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Demitir-se não exclui a necessidade das autoridades investigarem o que se passou, julgarem e punirem.
A dondoca está a ver se escapa....