SXC

Um esquema na produção de eletricidade, em que a energia eólica é usada para encher barragens a preços mais baixos, custa aos consumidores portugueses um euro por mês.

Os consumidores portugueses pagam um euro por mês, cerca de 50 milhões de euros por ano, através da fatura da luz, por um esquema na produção de eletricidade derivada da produção de energia das eólicas à noite, avança o Correio da Manhã esta terça-feira.

O sistema aproveita a energia eólica produzida durante a noite, período no qual o consumo de eletricidade é mais baixo, para bombear água do rio para as albufeiras. Entidades privadas, responsáveis pela gestão das barragens, compram essa energia eólica a um preço muito baixo ou quase nulo.

A energia eólica, comprada a um preço muito inferior, é usada pelas barragens para bombear água de volta para albufeiras, onde fica “armazenada”. Quando volta a passar pelas turbinas, regressa ao sistema elétrico, onde é comercializada a um preço superior.

O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, diz que este sistema se trata de uma “prática inadmissível” e pediu uma avaliação desta situação à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

De acordo com o pedido de avaliação do governante ao supervisor do setor da energia, esta combinação “pode levar a que a mesma entidade venda a energia a valores bem acima do preço do mercado e a adquira a preço zero ou próximo disso, numa operação totalmente custeada pelos consumidores

“.

Em Portugal, este esquema só é possível porque o regime em vigor prevê que toda a energia produzida a partir de fontes renováveis seja totalmente adquirida pela rede a um preço mais elevado.

Segundo um especialista do setor, citado pelo CM, a eficiência do sistema acaba por ser desvirtuada porque “a produção das eólicas é sempre paga pelos consumidores a um preço fixo, mesmo que nesse momento não haja consumo e que esse preço seja muito superior ao das alternativas que assim são rejeitadas”.

Segundo a ERSE, os portugueses irão pagar no próximo ano cerca de 894,3 milhões de euros pelas energias renováveis. O mesmo jornal realça ainda que este valor é pago pelos consumidores através da fatura mensal da eletricidade.

A subsidiação das renováveis é apenas um dos chamados “custos políticos da energia” e é aqui que estão contabilizadas as “rendas excessivas”, segundo a troika.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=””]