Mario Cruz / Lusa
Kate e Gerry McCann, os pais de Maddie
Uma especialista criminal que analisou o caso do desaparecimento de Madeleine McCann acredita que a menina inglesa morreu no Algarve, no dia em que os pais comunicaram o seu desaparecimento à polícia.
Autora do livro “Perfil do Desaparecimento de Madeleine McCann” e reconhecida especialista de investigação de perfis criminais, Pat Brown acusa a Scotland Yard de “desperdiçar tempo e dinheiro” no chamado caso Maddie, considerando que a criança morreu em Maio de 2007, quando os pais reportaram o seu desaparecimento da Aldeia da Luz, no Algarve, durante as férias da família.
“Madeleine está morta“, destaca a investigadora no site News.com.au, considerando que “não vale a pena gastar todo este dinheiro, já que nada do que façam vai fazer com que a criança viva”.
“Acidente encoberto”
Pat Brown acredita que, provavelmente, Maddie morreu devido a um acidente que foi “encoberto”. “As provas suportam essa teoria de um acidente que ocorreu devido a negligência e possível medicação“, diz a investigadora que tem a “convicção” de que “o corpo foi movido para um local desolado e nunca vai ser encontrado”.
As palavras de Pat Brown surgem depois de o governo britânico ter aumentado os fundos para a investigação ao desaparecimento de Maddie. Uma decisão suportada pelo facto de a polícia britânica ter encontrado um novo suspeito no caso, um ex-funcionário do resort algarvio onde a família estava instalada que terá “ocultado segredos e informações” quando foi interrogado, no início da investigação.
“Há outras crianças desaparecidas no Reino Unido que não estão a receber esta atenção e onde o dinheiro deveria ser gasto”, considera porém, a investigadora.
Para Pat Brown esta nova pista é uma perda de tempo e de dinheiro, porque “as provas não sustentam um rapto”, realça no News.com.au.
A investigadora criminal nota que a teoria do rapto é “extremamente improvável com base na quantidade de tempo, provas na cena e todos os outros pedaços de indícios que já existiram”.
Waerfelu / Wikimedia
Maddie McCann
Ela diz ainda, que é “extremamente improvável” que a menina tenha sido levada por uma rede de tráfico sexual de crianças.
“Não vão roubar uma turista britânica de um resort de férias porque sabem que isso despoletará uma grande investigação sobre eles”, aponta Pat Brown, lembrando que estas redes podem “retirar facilmente” crianças de zonas pobres ou de toxicodependentes, e “mesmo louras”.
Críticas à forma como decorreu a investigação
A especialista criminal também critica a Scotland Yard, notando que conduziu mal a investigação por ter descartado suspeitos desde muito cedo e por ter acreditado desde logo, na tese do rapto.
“Eles chegaram com um propósito e disseram que houve um rapto. O foco deles foi encontrar um raptor”, aponta, realçando que os investigadores deveriam também ter averiguado “outras possibilidades”.
A teoria agora apresentada por Pat Brown vem ao encontro da que o ex-inspector da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, defende no livro “A verdade da mentira”.
Kate e Gerry McCann, os pais de Maddie, perderam recentemente, o recurso que levaram ao Supremo Tribunal de Justiça no âmbito do processo em que pediam uma indemnização de meio milhão de euros, por causa deste livro.
O Supremo deu razão a Gonçalo Amaral considerando que há “fundada suspeita” de que os McCann possam ter estado envolvidos no desaparecimento da filha.
O casal estará agora, a pensar levar o caso até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
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Não parece estranho que, com o desaparecimento de uma filha, se chame primeiro a comunicação social e só depois a polícia? Não parece estranho que uma mãe use o seu direito de nada dizer? Se estivesse inocente não diria tudo o que pudesse ajudar? Não parece estranho que esta mãe, sem dúvida o elo mais fraco, apareça sempre segura pelo marido e seja sempre ele que fala?
Filha minha que desaparecesse: chamava logo a polícia e dizia tudo o que pudesse ajudar.