Paulo Novais / Lusa

O ex-ministro Armando Vara

“Favorável ao Sócrates é [o Diário de Notícias] todos os dias”. Esta é uma das frases polémicas captadas em escutas telefónicas realizadas a Armando Vara e que revelam uma conversa comprometedora com Joaquim Oliveira, o dono daquele jornal.

O semanário Sol revela, na sua edição deste sábado, escutas telefónicas interceptadas no âmbito do processo Face Oculta, quando Armando Vara era vice-presidente do BCP e José Sócrates primeiro-ministro.

Em causa está, particularmente, uma conversa mantida com Joaquim Oliveira, o dono do grupo Controlinveste que detém o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, O Jogo e a SportTV.

Nessa conversa, mantida a 2 de Setembro de 2009, em vésperas de eleições legislativas, Joaquim Oliveira refere a Vara que “favorável ao Sócrates é [o DN] todos os dias”.

Esta ideia surge depois de Vara manifestar o seu desagrado com um título do DN, numa notícia sobre um relatório da OCDE que apontava Portugal como um dos países que menos investiam nas crianças.

“Bela manchete para a causa…F…-se, pá!”, desabafa Vara, segundo cita o Sol.

Oliveira responde que “pode ser bom para o Sócrates, para ele dizer que aquilo é um problema crónico e que agora o PS está a fazer tudo para aliviar essa m…”, conforme transcrição do mesmo semanário.

De acordo com o Sol, esta conversa indicia como Oliveira estava nas mãos de Vara

por causa do empréstimo de cerca de 300 milhões de euros que tinha contraído no BCP para adquirir o grupo Controlinveste.

O jornal também faz referência aos alegados planos de Sócrates para a compra do jornal Público, num processo em que Vara terá sido uma espécie de intermediário.

Outro processo referido respeita à tentativa de compra da TVI por parte da PT. Vara terá mantido conversas sobre este negócio com o então administrador da PT, Rui Pedro Soares.

Uma ideia que fica clara destas escutas feitas a Vara é o desejo de “mudar o [José Eduardo] Moniz e tirar a [Manuela] Moura Guedes” da TVI, segundo citação do Sol.

O ex-ministro socialista também é “escutado” a frisar que “o Sol tem de fechar” e as conversas indiciam, ainda, uma tentativa de controle do grupo Impresa, detentor da SIC e do Expresso, através da Ongoing de Nuno Vasconcellos que entrou em conflito com a empresa de Francisco Pinto Balsemão.

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