José Sena Goulão / Lusa

Os advogados de José Sócrates, Pedro Delille e João Araújo

Os advogados dos dois principais arguidos na Operação Marquês, José Sócrates e Ricardo Salgado, denunciam a existência de vírus informáticos nas escutas que lhes foram entregues.

Segundo afirmou ao jornal Público o advogado Pedro Delille, os 700 gigabytes de escutas do processo Operação Marquês, que foram entregues o mês passado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal à defesa do ex-primeiro-ministro José Sócrates, estavam infectados com vírus informáticos.

De acordo com o jornal, quando os representantes legais de José Sócrates foram informados, o mês passado, de que podiam recolher os discos que tinham entregue para que neles fossem gravadas todas as escutas telefónicas, foram avisados por uma escrivã do DCIAP de que o acesso ao conteúdo dos discos devia ser feito com anti-vírus

, uma vez que alguns ficheiros podiam estar infectados.

Perante este aviso, o advogado do ex-primeiro-ministro explica que se limitou a enviar os discos recolhidos no DCIAP a um perito informático. “Até um disco dele rebentou”, diz Pedro Delille. O especialista informático terá encontrado cerca de 50 programas maliciosos, “entre trojans e outras coisas do género”.

Além disso, assegura ainda Pedro Delille, “as escutas estão imprestáveis. É impossível identificar quem está a falar, não porque as vozes não sejam audíveis mas porque não está identificado em lado nenhum a quem pertencem“.

Contactada pela Renascença, a Procuradora-Geral da República confirma a existência dos vírus informáticos e explica que as próprias mensagens já estavam contaminadas no momento da intercepção.

Citada pelo JN, a PGR esclarece que “ao tomar conta da situação”, optou por mantê-la “para não alterar de forma alguma a versão originária dos ficheiros de prova”, e alertou os arguidos para a mesma.

Já este sábado, o Ministério Público, citado pela agência Lusa, esclareceu que as escutas da Operação Marquês foram contaminadas “no momento da intercepção”, e não no procedimento de cópia dos ficheiros ou no processo de análise durante a investigação.

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