José Sena Goulão / Lusa

Ex-primeiro ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

José Sócrates terá sido confrontado, no terceiro interrogatório de que foi alvo, com uma escuta telefónica realizada no âmbito do caso “Face Oculta” e que poderá servir de indício para o Ministério Público o acusar de corrupção.

Este dado é avançado pelo jornal Correio da Manhã que salienta que a escuta, detectada no âmbito do processo “Face Oculta“, envolve Armando Vara e Laurentino Dias.

A gravação terá sido feita quando o primeiro era vice-presidente do BCP e o segundo secretário de Estado do Desporto, conforme adianta o CM, notando que Vara foi “apanhado” a tentar convencer Laurentino Dias para, através de Sócrates, pressionar a Caixa Geral de Depósitos a financiar o Autódromo do Algarve.

Na escuta, Vara assumirá que se tratava de um projecto “irracional do ponto de vista económico” e um “sorvedouro de dinheiro”, segundo citação do CM.

Os investigadores da “Operação Marquês” poderão usar estes dados como “prova” numa possível acusação de corrupção

contra o ex-primeiro-ministro, no âmbito das suspeitas em torno do empreendimento turístico de Vale de Lobo, no Algarve.

O Ministério Público continua, nesta quarta-feira, a maratona final de interrogatórios na “Operação Marquês”, com nova audição de Sofia Fava, a ex-mulher de Sócrates.

A defesa do ex-primeiro-ministro alega que o prazo do inquérito já terminou e que está à espera do despacho de arquivamento do processo.

A Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, impôs ao Ministério Público a data de 17 de Março, ou seja, a sexta-feira que se aproxima, como o limite para a dedução de acusação.

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