Na passada sexta-feira, cerca de 600 crianças foram retiradas de uma escola primária, na comunidade de Parkfield, em Birmingham, em protesto contra o programa “No Outsiders”, um programa que visa promover o fim da homofobia.

O movimento teve início por parte de pais e mães muçulmanos, que afirmam que os seus filhos estão a sofrer uma “lavagem cerebral”, de acordo com o BirminghamLive.

Fatima Shah, mãe de uma aluna da escola de Parkfield afirma que “os homossexuais deveriam ser tratados com respeito”, no entanto, condenou o programa, afirmando que este é “desapropriado e completamente errado”.

Shah defende que 98% dos alunos da escola são muçulmanos e que é errado dizer-lhes que ser homossexual está certo, visto a homossexualidade ser proibida no Islão. “A educação sobre relações sexuais está a ser dada sem o nosso consentimento. Não fomos informados sobre o que está a ser ensinado”, defende.

No Forum Alum Rock Community, uma página do Facebook, os pais justificam a atitude de terem retirado os filhos da escola devido a sentirem que os seus direitos estão a ser postos em causa e que a homossexualidade está “a ser promovida agressivamente”.

Petições e tentativas de diálogo por parte dos pais terão sido ignoradas pela escola, o que levou ao protesto da manhã de dia 1 de março. Durante o protesto, as crianças seguraram cartazes com mensagens como “deixem as crianças serem crianças” e “parem de explorar a inocência infantil”.

Andrew Moffat, o homem que iniciou o programa há quatro anos, diz ter recebido ameaças desde que iniciou o programa, de acordo com a BBC

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O No Outsiders oferece cinco aulas por ano, que cobrem temas definidos na Leia da Igualdade. Durante as aulas, os alunos leem obras como “A mãe, a mamã e eu” e “Rei & Rei”, que abordam relações e casamentos entre pessoas do mesmo género. Moffat já recebeu um prémio por promover a igualdade e diversidade na educação em 2017.

Amanda Spielman, inspetora-chefe de Ofsted, uma organização que defende os padrões da educação no Reino Unido, diz ser a favor do programa, afirmando que é importante as crianças perceberem que existem “famílias que têm duas mães ou dois pais”.

Já a deputada da região de Ladywood, Shabana Mahmood, defende a posição dos pais, dizendo que não se trata de ser contra a homossexualidade, mas sim “sobre ser ou não apropriado conversar com crianças pequenas, no contexto de origens religiosas“, escreve o The Guardian.

Depois do protesto, o conselho diretivo da escola reuniu com o comissário das escolas regionais, Andrew Warren, e com os pais dos alunos e decidiu acabar com o programa até depois da Páscoa para poder abordar o assunto com os pais.

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