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Recep Erdogan, Presidente da Turquia

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, deixa uma ameaça à Europa, alertando os responsáveis da União Europeia (UE) de que se mantiverem a actual atitude, “nenhum europeu andará pelas ruas em segurança”.

Declarações divulgadas pela Reuters e proferidas por Erdogan durante um evento local com os jornalistas, em Ancara, a capital da Turquia, onde apelou ainda à Europa para “respeitar os direitos humanos e a democracia”.

“Se a Europa continuar assim, nenhum europeu em nenhuma parte do mundo andará pelas ruas em segurança”, ameaçou o Presidente turco.

Antes, durante um discurso transmitido pela cadeia televisiva NTV, Erdogan tinha dito que não poderiam “ameaçar” a Turquia “com nada, nem com o processo de adesão à UE, nem com o acordo de readmissão [de refugiados]“.

“Durante anos, impuseram-nos critérios da UE e agora rejeitam-nos eles próprios”, criticou.

“Quando terminar [o referendo] de 16 de Abril, vamos sentar-nos à mesa e falaremos”, acrescentou, garantindo que “após a aprovação do sistema presidencialista, nascerá uma Turquia muito diferente“.

O homem-forte da Turquia referiu ainda que vai pedir “contas à Holanda”

pelo manifestante turco que terá sido agredido no decurso da manifestação em Roterdão, na semana passada, e que desencadeou uma grave crise diplomática entre os dois países, e ainda com a Alemanha.

“Não permitiremos a nenhum europeu, sob qualquer pretexto, que venha fazer de agente no nosso país”, acrescentou, numa aparente alusão ao jornalista turco-alemão Deniz Yücel, detido na Turquia e acusado pelo poder em Ancara de ser um “espião” e um “agente do terrorismo”.

Numa referência ao agravamento das relações entre os representantes europeus e o país euroasiático, o responsável da UE pelo processo de alargamento disse que a adesão da Turquia se tornará “cada vez mais irrealista” caso Ancara não altere as suas posições.

A Turquia mantém desde 2005 conservações para garantir o estatuto de Estado-membro da UE, mas em diversos países europeus têm aumentado as críticas face ao que designam por “desvio autoritário” de Erdogan.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]