Pedro Sarmento Costa / Lusa
A enfermeira incumbida pelo delegado de saúde local de visitar o lar alertou para problemas graves cinco dias após primeiro caso de infeção do novo coronavírus em Reguengos.
O surto de Reguengos de Monsaraz, detetado em 18 de junho, provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar (80 utentes e 26 profissionais), mas também 56 pessoas da comunidade, tendo morrido 18 pessoas (16 utentes e uma funcionária do lar e um homem da comunidade).
Apenas cinco dias depois de ter sido identificado o primeiro caso no lar, a enfermeira incumbida pelo delegado de saúde local de visitar o edifício já alertava para vários problemas graves, avança o jornal Público.
Havia quartos com seis camas que não permitiam o distanciamento social adequado e não havia equipas distintas de cuidadores para os infetados e os não infetados.
O Público teve acesso ao relatório preliminar da autoridade de saúde pública do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central. Na troca de correspondência, os médicos adiantavam que três utentes sem testes positivos partilhavam quartos com doentes com testes positivos e assinalavam a “confusa” organização do lar.
“Uma utente positiva deambulava com uma garrafa de água à procura de uma casa de banho para encher a sua garrafinha. Dirigiu-se à ala dos utentes negativos, à casa de banho que lhe seria familiar”, retratou a enfermeira que fez a avaliação técnica da situação no lar. No dia em que lá esteve, não havia enfermeiro nem funcionários para a limpeza.
As deficiências detetadas foram comunicadas à direção técnica do lar para que a situação pudesse ser retificada e melhorada.
O delegado de saúde salienta “que houve sempre grande dificuldade” em mobilizar recursos médicos e de enfermagem para os cuidados aos residentes positivos e que, “nos primeiros dias houve, “uma aparente subvalorização do risco
e complexidade do seguimento destes doentes”, escreve o Público.PS contra “aproveitamento político”
A Federação de Évora do PS lamentou esta quinta-feira “profundamente a tragédia” no lar em Reguengos de Monsaraz e disse repudiar “o aproveitamento político injusto e desonesto” da situação.
Em comunicado, a federação socialista “lamenta profundamente a tragédia que se abateu” sobre o Lar de Idosos da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) de Reguengos de Monsaraz, que culminou com a morte de 18 pessoas, e repudia “o aproveitamento político injusto e desonesto levado a cabo por forças partidárias”.
A federação do PS, na nota de imprensa enviada hoje à agência Lusa, critica diretamente o PSD, partido que “chegou ao cúmulo de falar em teia partidária, insinuando ligações partidárias entre o presidente da ARS [Administração Regional de Saúde] de Évora e a autarquia de Reguengos de Monsaraz”, presidida por José Calixto (PS).
“Tal acusação é injusta porque inexistente e desonesta”, afirmou o PS, justificando que “ninguém melhor que o PSD sabe perfeitamente que o atual presidente da ARS de Évora [José Robalo] foi nomeado pelo Governo de Passos Coelho e exerceu essas funções durante toda a governação do Governo PSD/CDS”, pode ler-se.
O PS reagia a um comunicado do PSD, divulgado no domingo, que denunciou uma “teia de relações partidárias” entre a ARS e segurança social no Alentejo e exigiu o apuramento de responsabilidades pela morte de 18 doentes com covid-19 em Reguengos de Monsaraz.
O PSD, nesse comunicado, aludiu a uma “teia de relações partidárias que se estabelece com a Administração Regional de Saúde e o Centro Distrital da Segurança Social” e exige o apuramento de “responsabilidades políticas municipais e distritais”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Mais uma que vai ter que ser calada!