Um montanhista capturou a formação de um lago “alarmante” no alto dos Alpes franceses depois de a neve glacial ter derretido durante a intensa onda de calor que atingiu a Europa central no final de junho.
O lago, que mede cerca de 30 metros de largura, foi avistado pelo instrutor de escalada Bryan Mestre na base das montanhas Dent du Géant e Aiguilles Marbrées na cordilheira do Mont Blanc, que se estende até França, Itália e partes da Suíça.
O lago tinha cerca de 10 por 30 metros, com cerca de alguns milhares de metros cúbicos de água de degelo, segundo a National Geographic France. Embora muitas montanhas cobertas de neve hospedem lagos, é incomum em tal altitude acima do nível do mar.
No final de junho, a Europa experimentou uma onda de calor sufocante que viu as temperaturas subir para níveis recordes em algumas áreas. Em 28 de junho, por exemplo, França registou a temperatura mais quente de sempre: 45,8ºC na cidade de Gallargues-le-Montueux, perto da costa mediterrânea do país, de acordo com o Newsweek.
Apesar das altitudes muito maiores, a cordilheira dos Alpes não escapou ao calor, levando a um derretimento generalizado de neve e gelo. O popular resort de Chamonix teve temperaturas de 36ºC.
“Fiquei surpreendido ao ver o lago. Nos Alpes, acima da linha de 3.000 metros, a água deve estar sempre congelada“, disse Mestre ao London Evening Standard. “Quando vamos subir por um dia, se trouxermos uma garrafa de água, a água começa a congelar depois de algumas horas, mesmo que tenha ficado nas nossas mochilas”.
Mestre publicou duas fotografias, tiradas com apenas dez dias de intervalo para demonstrar a rapidez com que se formou. “Uma foi tirada em 28 de junho”, escreveu Mestre. “Apenas 10 dias de calor extremo foram suficientes para desmoronar, derreter e formar um lago na base do Dent du Géant e do Aiguilles Marbrées.”
[twenty20 img1=”268669″ img2=”268670″ offset=”0.33″]“Eu tenho visto eventos semelhantes nos Andes ou nas Montanhas Rochosas, mas o ecossistema é muito diferente lá”, disse. “A neve é permanente nos Alpes acima de 3.000 metros – não deve derreter. É claro que, com todo o aquecimento global, derrete. Não sou um cientista, mas é óbvio que é um efeito direto da onda de calor que atingiu a Europa.”
“Que eu saiba, esta é a primeira vez que algo assim aconteceu. O sul da Europa e os Alpes foram atingidos por uma enorme onda de calor”, escreveu. “Isto é verdadeiramente alarmante, as calotas em todo o mundo estão a derreter a uma velocidade exponencial”.
O glaciologista Ludovic Ravanel notou que um lago aparecia no alto dos Alpes franceses em 2015 e ligou a sua formação ao aquecimento global, de acordo com o The Independent. De acordo com o Copernicus Climate Change Service (C3S) da UE, no mês passado, foi o mês de junho mais quente já registado na Terra.
Dados divulgados pela agência de satélites mostraram que as temperaturas médias da Europa estavam acima de 2ºC acima do normal e as temperaturas estavam entre 6ºC e 10ºC acima do normal na maior parte de França, Alemanha e norte da Espanha durante os últimos dias do mês.
[sc name=”assina” by=”ZAP” ]
Ainda ontem discutia com um amigo que é advogado que há coisas que, independentemente de sermos ou não juristas, são por demais evidentes a qualquer pessoa de bom senso.
Esta é uma delas. Não sou, nem preciso de ser metereologista (ou perito em qualquer uma das sub-especialidades). Mas se as temperaturas médias sobem, se as calotas e os gelos perpétuos derretem, alguma coisa está a mudar. Isto são factos que dispensam qualquer grau de especialização.
Espero que quando os idiotas (e outros que o não sendo se fazem passar por tal a coberto de interesses económicos) acordarem não seja demasiado tarde...