Recuerdos de Pandora / Flickr

Na quarta-feira passada, um milionário de origem libanesa sediado na Suíça desde o fim dos anos 80 arrematou uma cartola utilizada pelo ditador Adolf Hitler num leilão de objetos nazis. Agora, dou a uma fundação judaica israelita.

O comprador é o empresário Abdallah Chatila, que desembolsou 50 mil euros pela cartola do ditador alemão. A sua motivação para arrematar o objeto foi simples: evitar que o objeto fosse utilizado por neonazis. “É extremamente importante, para mim, que os objetos daquele doloroso período não acabem nas mãos erradas,” disse Chatila, em declarações à Deutsche Welle.

Aos 45 anos, Chatila gere um negócio multimilionário de joalharia em Genebra e declarou que gostaria de ter comprado mais objetos, mas não conseguiu vencer todos os lances do leilão, que foi organizado pela casa Hermann Historica, sediada na Baviera. O leilão incluía ainda uma caixa de charutos e uma máquina de escrever, de acordo com o jornal Le Matin Dimanche.

Chatila também adquiriu, por exemplo, um exemplar do livro Mein Kampf (A Minha Luta) que terá pertencido a Hermann Göring, um dos principais líderes do partido nazi, por 130 mil euros.

Os objetos foram doados à associação Keren Hayesod, um grupo israelita de angariação de fundos que irá decidir o destino dos objetos. “Sinceramente, espero que peças tão delicadas sejam expostas num museu do Holocausto, que fará melhor uso deles do que qualquer outra entidade”, afirmou Chatila.

A cartola foi fabricada pela empresa J.A. Seidl no início da década de 1930 e, anos mais tarde, segundo a casa de leilões, foi encontrada numa residência de Hitler em Munique. Já a edição especial de Mein Kampf, que tem uma capa envolvida numa moldura de prata, fazia parte de um lote de cem edições limitadas que inclui a história oficial do Partido Nazi.

De acordo com um perfil no site Swiss Arab Entrepreneurs.ch, a família de Chatila chegou à Suíça em 1988. Chatila entrou para o negócio de joias em 1995 e, posteriormente, fez fortuna através do comércio de diamantes. “Nos dias atuais, nos quais as tendências de nacionalismo e antissemitismo crescem na Europa, gostaria de dar o exemplo com os meios que disponho”, disse à DW.

O presidente da Associação Judaica Europeia, o rabino Menachem Margolin, declarou neste domingo que ficou “positivamente surpreendido” com o gesto de Chatila. “Num mundo cínico, [temos] um verdadeiro ato de bondade, de generosidade e solidariedade”, disse.

Depois do leilão de quarta-feira, Margolin afirmou que vender lembranças da era nazi era imoral: “É errado monetizar estes objetos manchados de sangue, especialmente na Alemanha.”

Na semana passada, o governo austríaco anunciou que a casa onde Adolf Hitler nasceu, na cidade de Braunau am Inn, na Áustria, vai ser transformada numa esquadra de polícia.

O destino da antiga residência de Hitler gerou amplos debates e divergências no país. Alguns pediam a demolição do edifício, enquanto outros argumentavam que deveria ser usado para obras de caridade.

Atualmente, em frente ao edifício, há uma placa de pedra com a seguinte inscrição: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais, recordar os milhões de mortos”.

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