Os anúncios foram publicados recentemente num conhecido site de emprego. O titular da empresa justifica o facto de dispensar portuguesas porque, no geral, são “pessoas depressivas e “infelizes com a vida”.

“Procuramos pessoas descontraídas e bem-humoradas. A preferência é por BRASILEIRAS ou por nacionalidades igualmente alegres, dispensamos portuguesas“. É esta a frase de um anúncio publicado recentemente num conhecido site de emprego, revela o Público.

Segundo o jornal, o anúncio está ligado à Cloud Choice que, de acordo com o Portal da Justiça, é uma empresa com sede em Cascais que presta “serviços de informática”, nos quais se inclui “os relacionados com o desenvolvimento e manutenção de sistemas próprios ou de terceiros”.

No entanto, de acordo com o anúncio, que servia para recrutar “uma jornalista, como uma redatora, uma modelo, uma especialista em moda, uma apresentadora, uma youtuber, uma humorista”, é uma empresa “voltada para [a] área de saúde, com enfoque na ISG (interrupção segura da gestação)”.

O anúncio de recrutamento revelava ainda que o objetivo é “desenvolver uma equipe para entre outras coisas criar conteúdo para web nas áreas da moda, jogos, comportamento, sexo, consumo, séries de TV, etc., sempre voltados para o universo feminino”, que depois “será apresentado em canais específicos entre eles um canal no YouTube”.

Tal como escreve o diário, o Código do Trabalho determina “igualdade de oportunidades e de tratamento”, o que significa que ninguém pode ser beneficiado ou prejudicado por causa de aspetos como a “ascendência, idade, sexo, orientação sexual, identidade de género, estado civil, situação familiar, situação económica, instrução, origem ou condição social, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência, doença crónica, nacionalidade, origem étnica ou raça, território de origem, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical”.

Contactado pelo Público, o titular da empresa, Heinrich Pereira, argumentou que pretende desenvolver um canal destinado ao público feminino e, daí, a sua preferência por contratar mulheres. Relativamente ao facto de dispensar portuguesas, o proprietário afirma que, no geral, “são pessoas depressivas, infelizes com a vida”.

Escreve o jornal que, entretanto, já desapareceu dos vários anúncios a frase “dispensamos portuguesas”. Porém, isso não livra a empresa de vir a receber “um ofício a informar sobre a legislação aplicável”, uma intenção já confirmada ao jornal por Joana Rabaça Gíria, que preside a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).

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