Miguel A. Lopes / Lusa
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva
O Governo vai submeter ao Parlamento um diploma que suspende temporariamente a caducidade da contratação coletiva, proposta que os empregadores acreditam que deveria ser acompanhada de contrapartidas.
Segundo noticiou esta sexta-feira o ECO, para o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, tal moratória não pode avançar de modo isolado. De acordo com o responsável, esta não é a primeira vez que uma medida semelhante é discutida, mas “antes tinha sido em compensação face a outras matérias”. O responsável considerou “prematuro” indicar que contrapartida gostaria de ver assegurada.
“Estamos numa situação extraordinária, temos de ter alguma flexibilidade, mas isto é para todos os agentes, não pode ser só a benefício desta ou daquela parte. Não estou a dizer que não estejamos disponíveis para um conjunto de matérias, mas todos temos de contribuir para o desafio. Não peçam só a uma das partes o sacrifício”, disse.
Apesar de não implicar mais custos, a suspensão em causa pode trazer alguns obstáculos processuais, tendo a medida que passar necessariamente pela Concertação Social.
O líder da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, é contra a suspensão em causa, criticando a “marginalização da Concertação Social”
.
“Aqui há uns anos houve um acordo no quadro da Concertação Social nesse sentido. Neste momento, achamos que um tema desta envergadura deveria ser negociado em Concertação Social”, salientou.
À agência Lusa, citada pelo ECO, a central sindical da CGTP referiu que a medida em causa “não resolve o problema de fundo” da contratação coletiva, reafirmando a necessidade desta ser retirada de todo do Código do Trabalho. “Esperamos que esta seja uma oportunidade para discutir de forma séria esta questão”, afirmou.
Já a UGT defendeu que “a caducidade é uma forma de pressão terrível para a negociação coletiva” e que, por isso, “deve ser moralizada e devidamente fundamentada”.
A proposta que suspende excecionalmente os prazos associados à caducidade e sobrevigência dos instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho foi apreciada em Conselho de Ministros e seguirá para os parceiros sociais e para o Parlamento.
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