O ex-primeiro-ministro José Sócrates colocou no YouTube um video em que se defende daquilo a que chama “o último embuste que o Ministério Público pretendeu criar a propósito da PT”.

No vídeo, que dura mais de 11 minutos e que pelas 11:00 deste sábado tinha mais de 10 mil visualizações, Sócrates diz que “decidiu gravar estes pequenos vídeos em legítima defesa, em legítima defesa do último embuste que o Ministério Público pretendeu criar a propósito da PT“.

Contactado pela Lusa, João Araújo, advogado do antigo líder socialista confirma a veracidade e atualidade do vídeo e explica que, “como existe uma certa falta de vontade em ouvi-lo, ele faz-se ouvir“. Questionado sobre os próximos passos, João Araújo diz que “é de esperar que surjam mais coisas“, mas não diz quais nem em que formato.

No vídeo, Sócrates aparece de camisa e gravata, com uma estante de livros atrás, uma parte de um monitor de computador ao lado e durante a sua intervenção aparecem várias infografias que acompanham a intervenção.

No fundo, a ideia sugerida é a de que o meu governo teria tido uma atuação desonesta de favorecimento dos acionistas da empresa; isto é absolutamente falso, e desejo demonstrá-lo, não com base em especulações, mas com base em factos, documentos e números“, diz o antigo primeiro-ministro no início do vídeo.

Dividido em cinco capítulos, sobre o fim do monopólio da PT, a OPA da sonae, o voto da CGD, o veto à venda da Vivo e a parceria com a Oi, o vídeo termina com José Sócrates a dizer que “os factos resistem, são eles que constroem a verdade material

, e nenhuma justiça se pode alcançar com base na falsificação histórica”.

Segundo José Sócrates, é totalmente falso que o seu governo tenha favorecido a PT – apresentando dados relativos à variação das quotas de mercado da operadora nas suas diferentes áreas de negócio, entre 2004 e 2011.

O ex-governante questiona a alegação de que teria prejudicado a SONAE no caso da OPA à PT, contrapondo que “foi Paulo de Azevedo que me telefonou a pedir que o governo votasse a favor”.

Além disso, diz Sócrates, “mesmo que a Caixa tivesse votado a favor, a OPA foi derrotada por muitos votos, e bastavam 33% para que fosse rejeitada”. “Faz lembrar aquelas pessoas que quando perdem a culpa é sempre do árbitro“, salienta.

Esta iniciativa de Sócrates surge poucos dias depois de ser anunciado que a decisão do Ministério Público sobre o inquérito ‘Operação Marquês’, cujo principal arguido é José Sócrates, deverá ser conhecida até 20 de novembro, após os procuradores terem recebido a última carta rogatória no dia 22 deste mês.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates está indiciado por fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.

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