Larry W. Smith / EPA
As autoridades do Texas anunciaram este domingo que vão pedir pena de morte para o atirador que sábado abriu fogo num centro comercial em El Paso, causando 20 mortos e mais de duas dezenas de feridos. Em simultâneo, multiplicam-se as críticas sobre a normalização do discurso de ódio nos Estados Unidos
“A pena máxima no Estado é a pena de morte e [o atirador] incorre na pena de morte. Vamos requerer a pena de morte”, disse o procurador de El Paso, Jaime Esparza. O procurador, que falava em conferência de imprensa, adiantou que o caso está a ser tratado como “terrorismo doméstico” e “delito de ódio”.
Anteriormente, as autoridades dos Estados Unidos tinham anunciado estar a investigar uma possível ligação do suspeito com um manifesto publicado online criticando “a invasão hispânica do Texas”.
Um homem armado com uma espingarda disparou, no sábado, sobre uma multidão de cerca de 3.000 pessoas num centro comercial em El Paso, matando 20 pessoas e ferindo outras 26, segundo dados da polícia.
O suspeito foi identificado como um caucasiano de 21 anos. Horas depois do tiroteio em El Paso, pelo menos 10 pessoas morreram e 16 ficaram feridas num segundo tiroteio, desta vez na cidade norte-americana de Dayton, no Estado de Ohio, de que resultou a morte do próprio atirador, entretanto identificado como Connor Betts, na casa dos 20 anos.
Na sequência dos tiroteios, o governador do Estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, exigiu ao Governo Federal que reforme a legislação sobre o controlo das armas de fogo. “O nosso país está a ser atacado por dentro e continuar a ignorar o que está a acontecer à nossa volta só levará a mais matanças e tragédia”, afirmou Cuomo em comunicado.
“Lamento que vivam num país com um Governo que permite que isto aconteça sem fazer nada”, disse o governador, que no sábado tinha já criticado o Presidente norte-americano Donald Trump pelo seu apoio à associação norte-americana de defesa das armas, a National Rifle Association.
Cuomo reiterou o apoio de Nova Iorque às leis de controlo de armas e manifestou-se contra a “intolerância e a retórica de ódio que alimenta estes ataques”.
Entretanto, Donald Trump deu hoje ordens para que as bandeiras nos edifícios oficiais sejam hasteadas a meio mastro até ao próximo dia 8 para homenagear as 29 vítimas dos dois tiroteios, anunciou a Casa Branca.
Democratas culpam “racismo” de Trump
“O tiroteio de hoje [sábado] em El Paso, Texas, não só foi trágico como foi um ato de cobardia. Partilho com todos neste país a condenação deste odioso ato”, reagiu Donald Trump, após o primeiro balanço oficial, no Twitter.
“Não há razões ou desculpas que alguma vez justifiquem a morte de pessoas inocentes”, acrescentou o Presidente norte-americano.
O Presidente do México, López Obrador, também já manifestou pesar pelo ataque e confirmou a existência de três mexicanos entre os 20 mortos. “Soube que três mexicanos perderam a vida
neste tiroteio. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já está a tratar do assunto”, declarou López Obrador, num vídeo transmitido nas redes sociais.Escreve o jornal Observador que o México pode fazer queixa por terrorismo nos Estados Unidos e pedir extradição de autor do atentado.
“Estamos em comunicação, respeitando o âmbito de ação da Procuradoria-Geral da República, para lhes proporcionar toda a informação necessária para que possam, se assim o entender o senhor procurador-geral da república, iniciar uma queixa por terrorismo contra nacionais do México no território dos EUA”, disse Marcelo Ebrard, ministro dos Negócios Estrangeiros,, numa conferência de imprensa neste domingo.
“Que eu saiba, seria a primeira medida desta natureza na História”.
Os democratas, por sua vez, apontaram baterias a Donald Trump, afirmando que o “racismo” e a defesa da “supremacia branca” por parte do Presidente dos Estados Unidos é uma das causas do tiroteio de El Passo.
“É racista e encoraja o racismo neste país” disse Beto O’Rourke, ex-congressista do Texas depois de visitar feridos, acusando Trump de “ofender a sensibilidade” do povo americano e, sobretudo, de mudar “o caráter (do país) e levar à violência”.
“O nacionalismo branco é mau e está a inspirar as pessoas a cometerem assassínios”, disse em entrevista à cadeia televisiva CNN, acrescentando que aquela ideologia “é tolerada ao mais alto nível no governo dos Estados Unidos”.
“Trump precisa de parar”
Também o Southern Poverty Law Center (SPLC), organização que monitoriza grupos de ódio e outros tipos de extremismo nos Estados Unidos, condenou a linguagem do Presidente, que atribuiu os ataques a “ódio” e a problemas de “doença mental”.
“Depois do tiroteio de Christchurch Trump também disse que o nacionalismo branco não é realmente um grande problema, enquanto o seu diretor do FBI está a dizer que é o maior problema de terrorismo doméstico que temos”, disse Heidi Beirich, diretor do SPLC, em declarações ao Business Insider.
“Este tipo de mensagem conflituante tem que parar. Trump precisa parar“, insistiu.
“O que temos visto é um grande declínio no terrorismo extremista islâmico, pelo menos dentro dos limites de nosso país, e um aumento deste tipo de violência”, disse Beirich, observando que a retórica racista de Donald Trump tem encorajado o fenómeno.
O responsável falou do recente ataque a três democratas, recordando que o Presidente sugeriu que voltassem aos seus países de origem – apesar de serem norte-americanas.
“O que Trump fez desde o dia em que começou a sua campanha naquela escada rolante em Nova Iorque e falou sobre os mexicanos como ‘violadores’ encorajou os supremacistas brancos porque legitimou os seus pontos de vista anti-imigrantes, anti-muçulmanos e outros”, disse ainda Beirich ao mesmo jornal.
Também a cantora Rihanna, recorrendo às redes sociais, condenou as palavras de Trump. “Imaginem um mundo onde é mais fácil obter uma AK-47 do que um visto! Imaginem um mundo onde constroem um muro para manter terroristas NA AMÉRICA !!!”, pode ler-se.
“As preces e profundas condolências às famílias e entes queridos de todas as vítimas e das comunidades afetadas e traumatizadas, do Texas, Califórnia e Ohio! Sinto muito pela vossa perda! Ninguém merece morrer assim! NINGUÉM!”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Esse palhaço com nome de pato da Disney, está á espera de quê? Os EUA sempre foram uma terra de índios, cowboys e pistoleiros. Não há nada a fazer para melhorar a situação, mas para piorar talvez, e os EUA têm o presidente certo para isso. Parabéns.