Paulo Cunha / Lusa

Guarita abandonada no complexo militar de Tancos

“A seguir à Islândia e Nova Zelândia não há país no mundo mais pacífico que Portugal”, lê-se num artigo do jornal espanhol El País. Primeiro foram os incêndios, agora o assalto a Tancos: a imprensa espanhola voltou a “atacar” Portugal.

O artigo está escrito em tom irónico e todo ele “denuncia” a falta de ação militar, no assalto em Tancos que, de acordo com o jornal, foi feito por “mais de uma dúzia de assaltantes”. O jornal descreve o assalto como “pacífico“, “sem um tiro, sem um ‘alto’, sem um ‘ai'”.

“Chegaram com um camião, fizeram um buraco na vedação e foram às dezenas de paióis, mas só visitaram aquele que tinha o material de que precisavam e deixaram os outros. De certeza que em sua casa demorava mais a encontrar um iogurte no frigorífico“, ridiculariza o jornal.

“Levavam uma lista de compras, com a diferença de que tudo era grátis. Carregaram a braços as pesadas caixas, andando daqui para ali 500 metros e, quando acabaram o assalto, partiram como chegaram”.

A publicação denuncia ainda que a base de Tancos tem o sistema de videovigilância avariado “há cinco anos” e que a vedação podia ser cortada com uma tesoura. “As 25 guaridas para os vigilantes estão em péssimo estado, pelo que é melhor que nenhum soldado arrisque a sua vida ao ir para lá. Como consequência, não há ninguém lá”.

E há mais: o jornal escreve mesmo que os militares demoram meio dia a fazer uma ronda ao perímetro e que quando o fazem “vão rezando para que ninguém os ataque, porque só se podem defender à paulada“, já que as armas não estão carregadas.

Para rematar, o jornal comenta: “Depois de conhecer isto, se o índice Global de Paz não dá o primeiro lugar a Portugal em 2018 será uma injustiça

“.

Grupo que assaltou Tancos já estava sob suspeita, diz José Miguel Júdice, mas é mentira

No seu espaço de comentário na TVI, o advogado José Miguel Júdice revelou que um “político de nível muito elevado” lhe contou que o grupo que fez o assalto a Tancos “já estava sob suspeita” das autoridades, avança o Público.

“Eu até tenho medo de falar nisto, porque se calhar isto nem é verdade. Há muita ‘boataria’ por aí. Mas quem me disse isto é um político de nível muito elevado que me disse o seguinte: este bando, ou este grupo, já estava sob suspeita das forças de investigação. Das polícias. E não os conseguiram por sob escuta. Estavam a persegui-los, segundo parece, para os apanhar em flagrante delito”, afirmou, frisando que os militares não foram informados sobre as suspeitas.

O comentador garantiu ainda que perguntou a este político se poderia utilizar a informação que lhe tinha sido dada: “Use com certeza. Pode ter a certeza de que é verdade“, foi a resposta da fonte do advogado, que lhe transmitiu a informação pessoalmente, relatou ainda Júdice. “Se calhar é um ponto que vale a pena averiguar”, desafiou o advogado.

Entretanto, segundo adianta o Expresso, fontes próximas da investigação ao caso já vieram desmentir as afirmações do advogado, dizendo que o grupo que fez o assalto não estava referenciado, nem sequer a ser seguido ou monitorizado.

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