Rui Miguel Pedrosa / Lusa
O presidente da Câmara Municipal de Pedrogão Grande, Valdemar Alves
O presidente da Câmara de Pedrogão Grande reagiu à reportagem da TVI, que dava conta de donativos “escondidos” em armazéns na câmara que seriam desviados para familiares ou amigos dos autarcas. Valdemar Alves repudia aquilo que diz serem “mentiras, difamações e calúnias”.
“São mentiras preparadas e orquestradas”, acusa Valdemar Alves, assegurando que, “em nenhuma circunstância, qualquer bem foi entregue indevidamente a quem quer que fosse”, assim como “nunca qualquer bem foi desviado ou extorquido, e muito menos escondido, nem negado a quem dele necessitasse”, assegura o autarca em comunicado citado pelo Notícias ao Minuto.
O governante explica que os bens filmados na reportagem são de Instituições que estão a reconstruir habitações em Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos e que ao seu município “foi unicamente solicitado que armazenasse os bens, até que as Instituições decidam aplicá-los nas habitações por si reconstruídas”.
Com a divulgação do local onde estão esses bens, “fica irremediavelmente comprometida a segurança” dos mesmos, vendo-se o município “obrigado a solicitar junto dos legítimos proprietários dos bens (das Instituições) outro local para a guarda dos mesmos, já que foi denunciada publicamente a sua exata localização, razão pela qual se encontra a máquina pesada como bloqueio à porta de entrada, afim de prevenir qualquer furto”.
Os bens em causa, acrescenta, “têm a sua gestão e entrega a cargo de Instituições e não da Câmara Municipal, que somente forneceu espaço de armazenamento conforme lhe foi solicitado, razão pela qual a vice-presidente refere, e bem, que não temos nenhum eletrodoméstico”.
Não foram detetadas “irregularidades”
Em declarações ao jornal Público, o Fundo Revita e a Cruz Vermelha garantem que têm os bens em causa estão “inventariados”, sendo “geridos e corretamente entregues, não sendo conhecida qualquer irregularidade”.
Ao diário, um responsável da Cruz Vermelha (responsável pela gestão do apetrechamento das casas em reconstrução pelo Fundo Revita – criado pelo Estado para gerir a reconstrução de casas por várias instituições de solidariedade) confirmou que a autarquia tem bens guardados, mas diz desconhecer qualquer irregularidade.
A Cruz Vermelha diz que tem os bens inventariados “dos que foram entregues para armazenamento e dos que foram entregues às famílias”. Em igual sentido, fonte do Fundo Revita ouvida pelo matutino confirma também que os bens doados às instituições que fazem parte do fundo estão “devidamente inventariados”.
Na prática, escreve o Público, os bens que foram doados às diferentes instituições são guardados em armazéns antes de serem distribuídos pelas casas à medida que vão ficando finalizadas.”A Cruz Vermelha Portuguesa identifica a necessidade, propõe a doação à Comissão Técnica do Fundo Revita e, após aprovação por parte da Comissão Técnica, indica à câmara onde as entregas devem ser feitas”, explica o responsável do fundo Revita.
“O processo está a decorrer com normalidade assegurando a Cruz Vermelha Portuguesa o cumprimento das regras estabelecidas. Todos os bens sob gestão do Fundo Revita estão inventariados, geridos e corretamente entregues, não sendo conhecida qualquer irregularidade”, responde fonte oficial do Revita.
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Mas este indivíduo ainda continua à frente da autarquia e anda em liberdade?