O Presidente norte-americano aludiu no sábado a um atentado terrorista na Suécia, inexistente, para justificar a sua política anti-imigração, num discurso que levou o ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt a perguntar o que teria Donald Trump fumado.
“Olhem para o se passa na Alemanha, olhem para o que se passou ontem à noite na Suécia. A Suécia, quem haveria de pensar? A Suécia. Eles acolheram muitos refugiados e agora têm problemas como nunca imaginaram que iriam ter”, afirmou Donald Trump num discurso na Florida em defesa da sua política antirrefugiados e anti-imigração.
A Suécia tem uma longa tradição de acolhimento de refugiados e imigrantes, e recebeu 163 mil pedidos de refúgio em 2015. Desde então, o país limitou o número anual de pessoas que pode acolher.
Porém, na sexta-feira à noite não aconteceu nada relevante na Suécia.
O caso mais recente de ataque terrorista ocorreu em dezembro de 2010, em Estocolmo, quando um cidadão sueco nascido no Iraque detonou dois explosivos, matando-se apenas a si próprio. Inevitavelmente, este novo “facto alternativo” não demorou a ter reacções de entidades oficiais, na imprensa, e nas redes sociais.
O tabloide Aftonbladet publicou um artigo endereçado ao presidente com o título: “Isto aconteceu na Suécia na noite de sexta-feira, Mr. President”. Em seguida, são listados alguns eventos, como o de um homem que foi atendido no hospital com várias queimaduras, um alerta de avalanche e a perseguição da polícia a um motorista bêbado.
A inesperada declaração de Trump animou as redes sociais, que inundaram a ‘hashtag’ #lastnightinSweden (ontem à noite na Suécia), onde Trump foi ridicularizado um pouco por todo o mundo.
Um dos primeiros a reagir foi o ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt, que perguntou: “A Suécia? Um atentado? O que é que ele tem andado a fumar?“.
Já Gunnar Hökmark, deputado sueco do Parlamento Europeu, publicou uma mensagem: “#ontemànoitenaSuécia o meu filho deixou cair o seu cachorro-quente na fogueira. Que triste! Como poderia ele saber?”.
Mensagens inundaram também a @sweden, a conta oficial do país no Twitter, que é administrada por um sueco diferente em cada semana. A responsável desta semana, Emma, que se descreve como uma bibliotecária e mãe, afirmou que a conta tinha recebido 800 menções em quatro horas.
“Não, nada aconteceu aqui na Suécia. Não ocorreu nenhum ataque terrorista aqui. Nada. As principais notícias agora são sobre Melfest”, disse, referindo-se à competição para escolher o artista que representará a Suécia na Eurovisão.
“Não, senhor Trump. Isto não é nenhum ataque químico realizado por terroristas. Isto chama-se Aurora Boreal“, diz o actor e historiador holandês Bart van Ree no Twitter.
O jornalista Damien Fletcher garantiu no Twitter que Donald Trump irá proteger a Suécia contra incidentes de terror como o desta sexta-feira à note, em que uma vaca atravessou a estrada.
Esta não é a primeira vez que membros da administração Trump, e agora o próprio, se referem a ataques terroristas inexistentes – justificados posteriormente como lapsos.
No início do mês, durante uma entrevista, a assessora Kellyanne Conway, que tornou famosa a frase “factos alternativos”, referiu-se ao “massacre de Bowling Green” – um massacre que nunca existiu – para explicar a política do novo presidente dos EUA contra a entrada de muçulmanos no país.
Também o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, falou por três vezes numa semana acerca do atentado de Atlanta, no Estado da Geórgia, antes de se lembrar que o mesmo tinha na verdade acontecido em Orlando, na Florida.
E o próprio presidente dos EUA ficou visivelmente atrapalhado, na conferência de imprensa desta quinta-feira, quando um jornalista da NBC o confrontou, em directo, dizendo-lhe que tinha acabado de dar informações falsas sobre a sua vitória no colégio eleitoral.
Trump justifica comentário com o que viu na televisão
Donald Trump clarificou o comentário que fez em relação à Suécia, durante um discurso na Flórida, justificando o equívoco com algo que viu na televisão Fox News.
“A minha declaração sobre o que se está a passar na Suécia era uma referência a uma história emitida na Fox sobre imigrantes na Suécia”, escreveu na rede social Twitter, sem mais explicações.
A porta-voz da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders explicou que o comentário de Trump aludia a uma suposta relação entre o aumento do crime e os imigrantes e refugiados, não se referindo a incidentes em concreto.
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Ah não aconteceu? Então os islâmicos são uns santinhos?