Miguel A. Lopes / Lusa

Taxistas vandalizam um veículo conduzido por um motorista da Uber durante o protesto promovido pela ANTRAL e pela Federação Portuguesa do Táxi

A PSP deteve três pessoas durante a manifestação dos taxistas na zona do aeroporto de Lisboa. Os taxistas realizam esta segunda-feira uma marcha lenta contra a plataforma Uber, quase seis meses depois de terem feito um protesto idêntico que juntou centenas de carros na capital.

Segundo a PSP, dois motoristas de táxi foram detidos na sequência dos incidentes junto à Rotunda do Relógio, um por danos a uma viatura da polícia e o outro por arremesso de um objeto pirotécnico, e a outra junto ao aeroporto de Lisboa, onde os taxistas estão agora concentrados, por vandalizar um carro da Uber junto à zona das partidas.

São esperados mais de seis mil taxistas para a manifestação de hoje, numa marcha lenta que tem como destino a Assembleia e prometeu paralisar Lisboa. Os representantes do taxistas já foram chamados para uma reunião de urgência.

Um grupo de taxistas que participa na manifestação do setor esta segunda-feira saiu dos carros e bloqueou o acesso ao Aeroporto de Lisboa, registando-se confrontos com a polícia, que tentou impedir o bloqueio.

Segundo a PSP, os taxistas que participavam no protesto junto à Rotunda do Relógio saíram dos táxis e ocuparam totalmente a rotunda, tendo os elementos policiais tentado impedir o que originou uma atitude mais agressiva por parte dos manifestantes.

Perto das 11h, junto à Rotunda do Relógio (por baixo do viaduto da Segunda Circular), os ânimos exaltaram-se e os taxistas acabaram por atirar vários objetos contra os polícias, nomeadamente garrafas de água e sumos.

Alguns agentes lançaram petardos e gás pimenta contra os manifestantes.

A presença do Corpo de Intervenção foi reforçada no local, onde estão oito carrinhas da polícia.

Troca de insultos com condutores da Uber

Os taxistas começaram a circular rumo ao parlamento, onde vai prosseguir a manifestação desta segunda-feira contra as plataformas de transporte de passageiros, após uma troca de insultos com motoristas da Uber, junto ao aeroporto de Lisboa.

Eduardo Cacai, da Federação Portuguesa do Táxi, disse à agência Lusa que o conflito começou quando os táxis se encontravam parados junto à rotunda do aeroporto para iniciarem a marcha até São Bento.

Segundo Eduardo Cacai, motoristas da Uber que se encontravam no posto de abastecimento de combustível existente naquele local começaram a “insultar e a tirar fotografias” aos taxistas.

Perante a resposta dos manifestantes, os motoristas da Uber refugiaram-se na loja do posto de combustível, segundo os taxistas.

O acesso ao equipamento foi posteriormente vedado pela polícia, acusada pelos taxistas de ser conivente com os motoristas da plataforma.

Um dos veículos da Uber foi atingido por ovo, constatou a Lusa no local.

Uber e Cabify

Em luta contra a regulação, proposta pelo Governo, da atividade das plataformas de transportes de passageiros como a Uber ou a Cabify, os organizadores prometem só arredar pé da Assembleia da República — onde termina a marcha lenta – quando o executivo travar aqueles serviços, que dizem não estar abrangidos pela lei.

As plataformas Uber e Cabify permitem pedir carros descaracterizados de transporte de passageiros através de uma aplicação para ‘smartphones’, mas estes operadores não têm de cumprir os mesmos requisitos — financeiros, de formação e de segurança — do que os táxis.

Cerca de seis mil táxis de todo o país são esperados pela organização do protesto, que começou às 07:00 com uma concentração no Parque das Nações e seguiu cerca das 09:00 em marcha lenta até à Assembleia da República.

ZAP / Lusa