Paulo Cunha / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conforta o presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves. à esquerda, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes

“É tempo de apurar tudo sem limites nem medos.” É Marcelo Rebelo de Sousa quem o diz sobre o trágico incêndio de Pedrógão Grande que matou 64 pessoas. E António Costa “chuta a bola” para a ministra da Administração Interna pedindo o “cabal esclarecimento” sobre o que falhou.

Após ter começado por pedir união e solidariedade no momento da tragédia em Pedrógão Grande, onde um incêndio descontrolado e de grandes dimensões levou à morte de 64 pessoas, o Presidente da República diz agora que é preciso apurar tudo o que se passou, “mesmo tudo”, “no plano técnico” e “no institucional”.

Num artigo escrito para o jornal Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa refere que é preciso “terminar a árdua missão dos últimos dias, acelerar a reconstrução, e apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”.

Considerando que vêm aí “meses muito exigentes”, o Presidente realça a importância de haver “iniciativas e convergências entre partidos políticos nestas três frentes de intervenção”, manifestando-se disponível para as apoiar.

O chefe de Estado nota que “tudo fez para criar condições aos operacionais de combate ao fogo em clima de unidade nacional”. Mas agora, a sua “missão” é “garantir que todas as interrogações sobre factos e responsabilidades tenham uma resposta rápida e exaustiva“, escreve também.

No início deste texto, Marcelo recorda que, na sua comunicação ao país, no domingo à noite, afirmou que se estava a viver “uma tragédia quase sem precedente na história do Portugal democrático”, que provocava “uma dor sem medida”.

“Disse, também, que havia interrogações e sentimentos, que não deveríamos esquecer, mas que a hora era ainda de combate contra os fogos, determinando mobilização total perante essa prioridade”, prossegue.

Nesta altura, quando “a fase do combate parece estar a chegar ao seu termo” e “os passos para a reconstrução já começaram”, “é tempo de, sem limites ou medos, se apurar o que, estrutural ou conjunturalmente, possa ter causado ou influenciado, quer o sucedido, quer a resposta dada”, nota o Presidente.

Marcelo frisa que é preciso apurar explicações “no plano técnico” e “no institucional” e “num prazo que não esvazie o significado do apuramento, nem acabe por retirar utilidade às suas conclusões”.

António Costa pede “cabal esclarecimento” à ministra

No Governo, o primeiro-ministro assinou um despacho onde ordena à ministra da Administração Interna que providencie um “cabal esclarecimento” sobre as falhas ocorridas na rede do Sistema de Comunicações, o SIRESP.

Este despacho de António Costa surge na sequência da resposta da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) ao primeiro-ministro, assumindo as falhas na rede SIRESP, entre sábado e terça-feira, no teatro de operações de combate ao incêndio de Pedrógão Grande, mas alegando que foram supridas por “comunicações de redundância”.

O primeiro-ministro enviou o despacho também para a Procuradoria-Geral da República, “com conhecimento à ministra da Justiça”, notando que pode ser um dado “relevante” para o inquérito que está a decorrer.

Governo recusa suspender concurso de ordenamento de eucaliptos

Entretanto, o ministro da Agricultura recusa suspender o concurso de nove milhões de euros, em fundos comunitários, para ordenamento de eucaliptos, assegurando que o objectivo é ordenar a plantação desta espécie e não permitir mais área plantada.

Luís Capoulas Santos nota que a intenção é “travar a expansão da área do eucalipto, mas em menos área produzir mais matéria-prima para uma indústria que representa dois mil milhões de euros de exportações”.

O governante responde assim ao pedido do Bloco de Esquerda (BE) de suspensão do concurso de rearborização de eucaliptos.

De acordo com o ministro da Agricultura, os apoios dados à floresta, sem discriminar espécies florestais, visam “ordenar a floresta portuguesa”, geri-la profissionalmente e garantir que seja certificada “para que se reduza o risco de incêndios” e “para que aumente a sua rentabilidade económica”.

“Aquilo que está a arder é floresta desordenada”, advoga ainda o governante, assegurando que todos os apoios à florestação obrigam a que os promotores respeitem “ordenamento florestal, gestão florestal, certificação florestal e faixas entre as plantações”.

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